Sin City -  Direção: Frank Miller e Robert Rodriguez - EUA 2005  - crítica por evilgambit

 

Sin City é uma experiência no cinema acima de tudo. Mesmo não sendo novidade, já que o estilo noir somado ao uso de computação gráfica foi utilizado a tempos em Capitão Sky e o Mundo de Amanhã, Robert Rodriguez inova ao simplesmente transpor uma HQ para o cinema e não simplesmente adaptá-la à tela grande.

O diferencial, a qualidade da HQ é que conta no caso, baseado nas novelas gráficas de Frank Miller; o cara que praticamente revigorou as HQs americanas nos anos 80, ressuscitando personagens como Batman e Demolidor e salvando-o do processo de mongolização das HQs com aqueles enredo imbecis que se complicavam a cada página. Miller sim sabe contar uma história ( desenhar nem tanto.. ), sabe dar vivacidade as cenas, quase que storyboards em suas mãos. Coisa que aprendeu ao flertar com os mangas, lembro disso em seu prefácio na antiga versão brasileira de Lobo Solitário, os seus comentários com rasgados elogios ao estilo nipônicos mostram o quanto um bom profissional pode melhorar ainda mais se for aberto a novas experiências e conceitos. Ainda bem que ele continua assim e topou ajudar Robert Rodriguez a "adaptar" Sin City para o cinema.

Sin City é violento, tem personagens memoráveis, uma sujeira e falta de bom senso  que muitas vezes se confundem com uma cidade real, é uma pena que Capão Redondo não seja tão charmosa quanto Basin City :) O filme reúne 3 histórias fielmente retratadas, Frank Miller e Robert Rodriguez praticamente utilizaram a HQ como storyboard para os filmes, já que as cenas, os diálogos, TUDO é 100% fiel. É o sonho de qualquer fã, uma obra fidelíssima, não dá para ser melhor que isso.

O filme é um marco por tratar HQ com seriedade e respeito para os fãs, eles não tiveram o menor interesse em deixar o filme interessante ao público pipoca, desses que provavelmente irão assistir A Ilha. O troço é em preto e branco, os personagens não param de falar, seja nos diálogos ( não são carregados como Kill Bill, mas soam canastrões de propósito, acredite ) ou na narrativa brilhante e cativante mas que não pára um minuto e a violência eloqüente e fantasiosa ao extremo. Se o filme prender o expectador logo na introdução que de uma forma bem clara dá razão para o nome da cidade, beleza, ele vai relaxar e se deliciar com as 3 bizarras histórias "independentes" tendo como único pano de fundo a cidade do pecado e se curte novidade ( a bela iluminação, o preto e branco com um amarelo ali, ou um vermelho acolá, o CG que deu vida aos desenhos de Miller e mais cartunesco que realístico, isso fica claro nos carros em computação gráfica ) tá tudo tranqüilo. O filme, você conhecendo os HQ ou não, será uma tremenda experiência. O que fica evidente o desequilíbrio entre as  3 histórias....

A primeira com o truculento Marv em busca de vingança pela morte da bela Goldie é sem sombra de dúvidas a melhor de todas, e poderia ter sido deixada para o final. Mas não que as outras duas sejam ruins, longe disso, mas o clímax ficaria mais interessante na minha opinião. O resultado porém nem de longe desanima e como só conhecia a tal história de vingança do Marv, tendo idéia da transposição HQ > Cinema e notado como foi feita enorme maestria, só me restava me surpreender com o desenrolar das outras duas, no final das contas acabou ficando mais interessante ainda. A segunda história é sobre a Cidade Velha, dominada pelas prostitutas, local onde elas fazem as leis, como dito no filme se você tem dinheiro terá todo o prazer que deseja, se quiser confusão, perderá seu pau e provavelmente a vida. Interessante como Miller adora espadas samurais, já que ele se encarrega de deixar o uso desta nobre arma a cargo da putona incrivelmente cool Miho. A terceira e última é sobre um policial honesto ( uau, isso existe até em Sin City ), pedofilia, estupros e uma dançarina que quase me mata do coração.... impossível não gostar do Bruce Willis, ele é um cara que nasceu para fazer esse tipo de personagem, o tira durão. Aproveito para frisar que o filme conta com um mega elenco, parece que passaram com uma vã em Beverly Hills e pescaram algumas celebridades para fazerem inúmeras pontas durante a película digital, nenhuma em vão diga-se de passagem, até Rutger Hauer aparece como um padre e a bala come solta na capela de confissão e o Frodo me botando um puta medo, parecendo um vilão saído dos games de Hideo Kojima.

Enfim, Sin City é um filme violento, divertido, inovador, esquisito, instigante, até diria surpreendente se você não manja NADA das HQ´s e que busca novas idéias no cinema gringo. Robert Rodriguez surpreende como um puta diretor, Frank Miller idem, já que transpor tudo isso para movimento no mundo real ( e CG, claro ) não é uma tarefa fácil e ele finalmente pode colocar um filme de qualidade em seu currículo como diretor, deixando um pouco de lado Robocop 3, sim, aquele com robôs samurais e o super herói de titânio voando pelos céus...

Só lamento ele estar chegando só agora nos cinemas brasileiros, com 4 meses de atraso. A grande maioria da molecada já viu em DVD pirata ou divx, e eu só tenho uma coisa a dizer, vão ver no cinema que vale a pena! E se você depende de legendas para entender o filme, te prepare, porque os sempre sábios distribuidores nacionais tiveram a excelente idéia de deixar legendas brancas em um filme basicamente preto & branco. Se não rolar legenda amarela no DVD nacional, vou começar a achar que existem macacos trabalhando nesta área.

Banana para eles.

 

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