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Shaolin Girl - direção: Katsuyuki Motohiro - Japão: 2008 - Crítica por flabis |
Stephen Chow é um gênio. Ele consegue aliar a mitológica arte do kung fu, com humor e ação desenfreada como nenhum outro. Foi assim com Shaolin Soccer e Kung Fu Hustle (que considero uma das melhores coisas da China dos últimos tempos) isso só pra citar os filmes mais famosos. Depois ele mostrou sensibilidade com o belo CJ7, mas sempre com toques de humor e ação exagerada, além de ser bastante carismático em frente as câmeras. Essa pequena introdução é só para dizer que assisto tudo que contenha o nome Stephen Chow estampado, o que nos leva a esse Shaolin Girl.
Fiquei surpreso quando vi esse filme disponível. “Como assim, um filme de 2008
com a produção de Stephen e eu não vi?”- pensei. Isso mesmo, produção. Não é a
mesma coisa que direção mas tudo bem. O filme conta a história de Rin Sakuwazara,
uma japonesa que foi mandada para um treinamento de 3000 dias na China, ao
retornar para o Japão decidida a espalhar o kung fu Shaolin pelo mundo, ela tem
a terrível notícia que seu amado dojo foi abandonado e seu antigo sensei é agora
um cozinheiro. Rin faz um pacto com a funcionária do restaurante, ela ensinaria
kung fu e em troca aprenderia a jogar Lacrosse (uma espécie de handball, mas com
redes tipo de caçar borboletas).
Divulgar o Kung fu através do esporte já foi tema de outro filme de Chow,
Shaolin Soccer, mas as semelhanças param por aí. Enquanto no Soccer temos o
futebol como cenário principal, nesse Shaolin Girl o lacrosse é mais uma
desculpa para a heroína e o bandido se encontrarem. Apesar de ter os exageros
típicos, os jogos geralmente são bem normais, o que uma boa pois os efeitos são
bem fracos se comparados ao Shaolin Soccer e Kung fu Hustle. Apenas nos créditos
finais o jogo fica surreal. O humor fica por conta dos parceiros habituais de
Chow, o gordinho e o cara de óculos que fez o contador vilão do Hustle.
Na verdade, Shaolin Girl pode ser considerado um filme para adolescentes.
Meninas faladeiras, escandalosas e bonitinhas aprendendo o valor da amizade e
parceria. Piegas, eu sei, mas quando a amizade é celebrada num multirao para
reconstruir um dojo e no Tai Chi Chuan, a pieguice fica mais agradável de se
ver, ali deve ter o dedo do Chow. A transição entre a calmaria e a ação do filme
é forçada, parece que eles lembraram: “OMG, isso é um filme de kung fu, temos
que mostrar chutes”. Não existe uma evolução natural na história. A batalha
final chega a ser constrangedora, de tao ruim, tanto em técnica quanto em
efeitos.
A verdade é que Shaolin Girl é um filme abaixo da média, os melhores momentos
ficam por conta dos funcionários do restaurante e da Rin se enturmando
definitivamente. Os efeitos e as coreografias são bem ruins, as “motivações” do
vilão e o segredo da Rin também não empolgam. Shaolin Girl não me agradou por
completo, mas não dava para esperar muito de um filme japonês sobre kung fu.
Infelizmente, nem a produção de Stephen Chow conseguiu salvar essa bomba, mas
tudo bem, ele ainda tem crédito na casa.