Rocky Balboa  - direção: Sylvester Stallone  - EUA 2006  - crítica por evilgambit

 

Todo mundo riu de Sylvester Stallone (o nosso Sly) quando ele anunciou que iria voltar aos ringues em Rocky Balboa, o sexto filme desta deliciosa franquia, eu inclusive. Mudei de idéia quando foi mostrado o primeiro pôster, aquela beleza que reverencia o brilhante primeiro filme de 76 (ganhador do Oscar de melhor filme ) e fiquei realmente empolgado quando foram divulgado os primeiros trailers.

Era um retorno às origens?

Quase, o filme só não é perfeito porque ignora certos fatos do quinto filme (e acaba pecando na continuidade), como por exemplo o fato dele ter se aposentado neste quando descobriu uma lesão cerebral que o impediria de continuar lutando.

De resto é deleite puro, seja você fã ou não da série. A primeira parte do filme tem direção impecável de Stallone, com diálogos maravilhosos que trazem uma corajosa metáfora colocando em paralelo o personagem Rocky Balboa e o próprio Stallone. O filme começa mostrando a aposentadoria do velho garanhão italiano, dono de um restaurante chamado Adrian´s em homenagem a sua falecida esposa, seu saudosismo perante um passado de glória, o relacionamento com seu filho, a bucólica vida de um velho que vive de seu passado. Tudo muda quando um canal esportivo faz uma simulação no computador colocando ele no auge da forma lutando contra o atual campeão mundial, acusado de não ter oponentes à altura e com baixíssima popularidade!

Rocky deseja voltar a lutar, ele quer sentir novamente o sangue e suor, coisas que lhe trouxeram a glória e reconhecimento de todos, e é aqui que reside boa parte da beleza desde filme, afinal a quanto tempo Stallone não emplaca algo bom no cinema? Lembre-se que Rocky foi o filme que o lançou para a fama e no decorrer de toda série existe um interessante paralelo entre a vida do personagem e do criador. No ostracismo, Sly parece querer sentir novamente o gosto da sucesso e  através de Rocky argumentar docemente sobre o assunto.

Isso fica evidente, e emocionante, em algumas cenas; em especial naquela que Rocky fala sobre voltar a lutar com seu cunhado Paulie, uma conversa franca e corajosa. Existe outro diálogo, desta vez com seu filho que lhe culpa por ser sua sombra, que chega para se tornar um daqueles diálogos memoráveis do cinema, com uma mensagem de dignidade e de força que serve para TODOS.

E quando aquele negão ( aquele careca, lembra? ) aparece para treinar o nosso Balboa e diz que o cara ta lotado de artrite, não tem velocidade, não pode mais saltitar no ringue e portando vai focar na PANCADA, no "HURTING BOMB" e na seqüência Rocky aparece correndo na neve trazendo a musica tema da série que enche a sala de cinema numa pancada só. Prepare-se irmão!

Puta que pariu... é a segunda parte do filme.

O treinamento é a moda antiga, quem viu qualquer filme da série sabe do que estou falando. O cara carrega toras de madeira, toma ovo cru e faz outras coisas belas e heterossexuais. Impressionante o porte físico do Sly, só isso dá 50% de credibilidade a essa história doida de voltar aos ringues com quase 60 anos. A luta entre Dixon é muito bem coreografada, contando até com uns efeitinhos estilo Sin City que deram um toque extra à excelente edição. É muito foda acompanhar toda a chacota dos comentaristas esportivos zoando legal o velho Balboa, até que o garanhão começa a socar o Dixon, que sente as porradas e parte para cima numa luta franca, completamente irreal ( claro ) e muito empolgante, do início ao fim!

Rocky Balboa fecha com chave de ouro uma das mais inspiradoras séries do cinema, a segunda parte é empolgante com um desfecho incrível, crível e emocionante trazendo absolutamente tudo que os fãs podiam esperar de um filme da franquia, a primeira metade reconcilia os fãs com o personagem, tem momentos belíssimos que não exageram no sentimentalismo, apenas servem para mostrar como esse tal de Balboa tem um coração enorme e uma coragem do caralho.

Não dizem que a cria trás muito do seu criador? Neste caso é a mais pura verdade.

 

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