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Rambo IV - direção: Sylvester Stallone - EUA/2008 - Crítica por evilgambit |
John James
Rambo nasceu em 6 de julho de 1947, filho de um índio norte americano e uma
alemã, garoto da fazenda que acabou convocado para a firula rosada no Vietnã,
mais tarde tornou-se membro danado de um grupo altamente treinado de milicos.
Quando as guerras deram um tempo, ele ganhou alvará para retornar aos EUA.
Essa é a temática do primeiro filme, o melhor da série, onde Rambo vai até uma típica
cidade do interior em busca do último amigo de seu pelotão e descobre que ele
está morto. Solitário e emburrado ele é importunado pelo xerife local, sem motivos aparentes
é encaminhado à delegacia para receber o velho tratamento republicano. Num
momento de pânico certamente originado pelos males da guerra, John pira, se
esconde no mato, é acuado pela força local e reforços federais e por fim acaba
por detonar metade da cidade. O final rende um diálogo bastante interessante (no
mínimo) com seu velho mestre, o coronel Trautman.
O segundo e terceiro filme abandonaram a crítica acertada do primeiro filme a
respeito do tratamento que os soldados que retornaram dos conflitos dos anos 60
e 70 receberam da sociedade hippie norte americana. O esquema é mais porrada,
exército de um homem só e redefiniu o gênero "FILME PRA MACHO" dos anos 80!
Agora, muitos anos depois, na casa dos 60 anos, Sylvester Stallone resolve
ressuscitar a franquia. Levando em conta a feliz conclusão da saga "Rocky" com
Rocky Balboa, eu fiquei bastante animado com esse projeto e esperava no mínimo
um final digno para John Rambo, nada menos que um ícone de sua época e memorável
até hoje, ao menos para mim que aprendeu a gostar de cinema nos anos 80.
Rambo IV começa em quinta, detalhando o cotidiano medieval que um povo de um
país do sudeste asiático leva nas mãos de um governo opressor. De cara o diretor
Stallone (é.. ele dirigiu, atuou e escreveu a parada) quer validar o uso da força, e caralho do céu, o bicho pega
nesse filme. O enredo é raso afinal estamos falando de Rambo e tirando uns
diálogos que soam forçados até num filme desta série ficou bacana: Rambo
aproveita sua aposentadoria vivendo na Tailândia, caçando cobras para deleite
dos turistas do primeiro mundo, até que um grupo de religiosos bondosos
aparecerem querendo alugar o barco do veterano, para levar medicamento e ajuda
humanitária até o país vizinho, que experimenta o genocídio, tão comum nesta
região do globo.
O John acaba aceitando a tarefa e leva os zelosos e alienados camaradas norte
americanos até a tal zona de guerra. Uns dias depois um padre (tinha que ter
religião no meio pro troço ser tão alienado..) aparece apavorado dizendo que
perdeu contato com tal grupo. Encurtando a história, Rambo acaba indo até a tal
zona de guerra junto com um grupo de mercenários contratados pela Igreja (lol)
para o resgate dos bons samaritanos.
Caras, eu já esperava que Rambo IV não tivesse o tom do primeiro filme e que
seria mais voltado à ação desenfreada e com momentos de sadismo cinematográfico,
típico dos outros dois filmes da série. Stallone caprichou no feito, Rambo IV
vai além e redefine a velha forma de carnificina/entretenimento do cinema
pipoca. As tais cenas de ação são em bom número, intensas ao extremo e
sanguinolentas com detalhes digitais: membros sendo separado do corpo,
decapitações, milico explodindo na frente da tela, coisa fina! O filme não
hesita em mostrar civis sendo assassinados, estuprados e torturados sem qualquer
piedade.
E vai ter gente dizendo que a violência é gratuita. E guerra de verdade é
como? Rambo IV não foi afetado pela viadagem que reina nos filmes de ação do começo deste século e Stallone resolveu chocar os mais
sensíveis e surpreender os fãs da franquia com doses cavalares de testosterona,
sangue e brutalidade. A
violência é franca e se for ver até validada dada a classe de inimigos (caraca, o vilão do
filme consegue juntar tudo de ruim num homem só). Concluindo mais uma crítica
passional, Rambo IV coloca um ponto final na série, dá um fim digno ao
personagem que já foi ícone do cinema de ação e coloca em paz um veterano de
guerra que finalmente se aceita como é.
Guerra é guerra.
Rambo sempre será
Rambo!