| Pequena Miss Sunshine - direção: Jonathan Dayton e Valerie Faris - EUA 2006 - review por evilgambit |
"O mundo é um eterno concurso de beleza"
E porque não afirmar que o cinema também é. A arrogância de uma superioridade estética e moralista que tenta se impor ao povo que vai aos cinemas todos os finais de semana. Admito que cinema é marketing e é claro que para vomitar toda uma série de produtos e tendências, eles vinculam isso ao sucesso, seja lá como o diretor em questão pretende abordar.
Litte Miss Sunshine foge à regra justamente nisso. É um filme sobre o fracasso inerente à qualquer um, por mais arrogante que você, espectador, seja.
O filme aborda um dia inusitado de uma família comum americana. Richard é o pai, um palestrante fracassado que tenta vender uma metodologia para o sucesso ( escrevendo e rindo aqui ), Sheryl é a mãe que precisa trabalhar fora e se dedicar aos afazeres domésticos, típica bomba prestes a explodir ( não vem ao caso no filme, no entanto ), Edwin é o pai de Richard, um velho expulso do asilo por ser viciado em heroína. Dawynee Olive são os filhos, Dawynee fez voto de silêncio à meses para ingressar nas forças armadas ( e é seguidor de Nietzche, dá para ter uma idéia de sua personalidade.. ), Olive é a querida garotinha fora dos padrões de beleza ( existe padrão de beleza para crianças de 7 anos? ALGO ESTÁ ERRADO NESTE MUNDO!! ) que sonha em ser miss.
Para completar, Frank, um gay que tentou o suicídio por causa de uma dor de cotovelo. Vai morar com sua irmã, a Sheryl, pois os médicos temem uma "recaída".
Durante o almoço, através de um telefonema descobrem que a pequena Olive foi selecionada para um concurso de beleza, o Pequena Miss Sunshine. A família inicialmente a contra gosto enche uma kombi para uma viagem até o estado vizinho, para que Olive possa realizar seu sonho.
Pequena Miss Sunshine não é uma comédia, mas faz rir. E não é o riso de deboche, mas uma tentativa de se esconder a própria desilusão, pois todo mundo já fracassou copiosamente, já perdeu e já achou que está entre os últimos pingüins de um ártico que vai derreter. A beleza estética da produção, acaba sendo um refúgio para buscar algo belo até a primeira metade do filme, só depois eu comecei a sacar qual era a dele.
A primeira frase deste texto pode ser um bom resumo para o filme, impossível não estranhar a "beleza" de crianças no tal concurso de beleza, constrange e me deixou ansioso o tal desfecho da pequena Olive no tal concurso, mesmo achando ela uma graça, é notório o que os diretores quiseram instigar ali. O padrão de beleza é algo completamente diferente de algo simplesmente belo. E durante todo o filme, temos diálogos e situações deliciosas que atestam isso, uma grata surpresa vinda de uma dupla de diretores estreantes acostumados à clipes musicais e comerciais de TV.
Pequena Miss Sunshine não é a melhor coisa que você verá na vida, mas como em tudo que é realmente belo, acaba sendo algo subjetivo e completamente individualista. Eu adorei o filme, mas sou apenas eu.