Ong-Bak - direção: Prachya Pinkaew  - Tailândia/2003  - review de DVD por evilgambit

 

Se você tem mais de vinte anos de idade, na verdade, beirando seus 25 anos. Com certeza viveu a dourada época dos VHS em sua plenitude. Eu em especial, se hoje posso me considerar cinéfilo ( aquele que filtra o que vê ), antes era ratão de locadoras e sempre tive uma certa paixão pelos filmes pé na cara. Dos feitos com suor e sangue vindos de Hong Kong aos plastificados do sr Van Damme.

Ah.. a Tailândia, o Muay Thai inspira força, um desapego interessante pela cautela e fragilidade humana sobreposta à vontade de vencer. Joelhos e cotovelos, sangue e ossos expostos, tudo isso antes de uma reverência milenar e séculos de tradição! A força dessa arte de luta, praticada para aprimoramento técnico e espiritual ou para o puro contato físico mesmo e claro, arrecadar muitos dólares de estrangeiros nas bolsas de apostas sempre foi usado pelos cineastas americanos. Da forma deles!

Ong Bak, produção de 2003, direção de Prachya Pinkaew e puramente Tailandês devolve aos donos desta arte a autoria do verdadeiro tigre das arenas. Esqueça aquela baboseira do americano bom que treina com o velhinho que mora no canavial para vingar e matar o sagat wannabe. Aqui, o herói é da terrinha, luta pra caralho, e meu deus como luta!! O enredo do filme funciona como uma fábula moderna, a preservação da tradição e da fé, corrompida e interrompida pelo ateu moderno da cidade, da sua falta de fé e apego as coisas simples, eu diria até que funcionaria como uma bela desculpa para a porradaria, mas não. Principalmente no começo, é impossível não se apegar a fé da gente humilde do distante vilarejo que adora uma estatuazinha de barro, esta roubada por um filho deles ( olha a traição ), que mora na cidade grande. Vendida como relíquia para colecionadores do e-bay, só uma pessoa pode ir até a cidade e resgatar a fé: o mano Ting.

Ting é interpretado por Tony Jaa, um excelente cocô como ator, mas um exímio lutador e acrobata. Um dos pontos altos do filme é a total isenção de CG, cabos ou qualquer outro artifício para as peripécias do herói, lembra muito os velhos tempos do nosso já nem tão bom Jackie! As lutas são poderosas, quando Ting finalmente resolve por em uso seus conhecimentos motores contra um lutador de rua, o primeiro impacto é devastador! É UM PÉ NA CARA DOS MAIS MARAVILHOSOS QUE EU JÁ VI. E ainda entre uma luta e outra sobra tempo para ouvir a voz completamente irritante de uma garota e se deliciar com uma inusitada perseguição automobilística.

Bom, é um filme para os amantes de um chute na cara. Mas também é um gostinho de vingança contra os ocidentais que sempre marginalizou o tailandês a vilãozinho apelão com pó branco no calção! Num determinado momento, o ocidental branco, forte e "superior" cospe no mano Ting e diz que ele é um raça de loser, que as mulheres de seu país são putas na terra dele e que ele não é de nada, é um petista de merda! Um tremendo chute no estomago.. Ting se levanta, seu KI quase explode meu scooter e a dupla literalmente quebra o cenário todo para delírio do evil aqui!

Quer motivo melhor que esse para ver esse filme?

 

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