Nacho Libre  - direção: Jared Hess  - EUA/2006  - review do DVD por evilgambit

 

Nessa época do ano, nossa querida auto intitulada rainha dos baixinhos sempre aborta um filme nos cinemas brasileiros. Num festival de bestialidade com o que existe de pior na mídia local, o saldo final são milhares de crianças se divertindo (?) com algo podre, sem sentido e viciado com o pior lixo deste país, os incríveis resíduos tóxicos da rede Globo.

Enquanto isso, verdadeiras pérolas que poderia muito bem se encaixar neste público acima citado saem diretamente em DVD. Nacho Libre, produção da Nickelodeon films se encaixa como comédia infantil sim, e ai eu poderia me esquivar de possíveis criticas a respeito do tom completamente nonsense do mesmo. Mas não usarei disso, afinal, não é porque o filme é claramente direcionado aos mais jovens, que ele necessariamente precisa tratar o espectador como idiota, mas isso não quer dizer que o filme possa ser deliciosamente idiota.

E é ai que entra nosso querido Jack Black. Ele manja do assunto.

Jack é um padre mexicano que cresceu sonhando ser um lulador de luta livre, é cozinheiro num orfanato da cidade de Oaxaca e a criançada odeia a merda que ele cozinha. Não porque ele cozinhe mal, mas é que os ingredientes são podres. Sonhando com algo melhor para ele, e para as crianças, ele acaba fazendo amizade com o hilário "Esqueleto - o Ateu", uma espécie de Mogli do deserto mexicano, que vivia das batatas que roubava do padre na rua...

O Esqueleto mereceria um texto a parte neste site, tamanho seu carisma, beleza, personalidade e atuação. Um dos grandes monstros do cinema moderno a ser imortalizado neste belo filme...

Formada a dupla dinâmina, ambos partem para uma deliciosa jornada para alçar fama no ramo da luta livre local. Memorável são alguns de seus oponentes, como a dupla de anões que emitem sons semelhantes aos Nazguls de Senhor dos Anéis, completamente bestial e de chorar de rir. As lutas são apetitosas, afinal nunca é ruim ver Jack Black apanhar ( imagine um cara parecido com o seu madruga dando cintadas no infeliz? Não é demais?! )! E elas são mais cômicas que violentas, um ponto positivo para um filme direcionado claramente ao público jovem.

A trilha sonora é memorável, a musica tema ficou na minha mente exatos 15 segundos, mas foram 15 segundos memoráveis.

Belo também é o cenário mexicano, assim como boa parte do elenco que usa e abusa do visual local. Nacho Libre é o herói da molecada do orfanato, um dos caras mais mal vestidos do ano, desejou uma freira mas não caiu em tentação, uma das melhores comédias no ano, e que no final deixa valorosas mensagens aos pequenos (como: alguns homens podem vestir lycra no seu quarto..), tudo com mais diversão, proezas técnicas, lutas sagazes e principalmente com a qualidade, que infelizmente devo dizer, que apenas os americanos e mexicanos ( Chaves? Alguém? ) conseguem trazer nesta época de férias.

 

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