O Labirinto de Fauno  - direção: Guillermo Del Toro  - México/Espanha 2006  - review por evilgambit

 

Quando eu tinha dez anos, mais ou menos, me lembro de estar tranqüilamente sentado no sofá comendo um lanche Mirabel e vendo um desenho do Pinóquio. Neste episódio completamente fantasioso Pinóquio conversava com um monstro em seu sonho, após dormir perdido longe de casa, o monstro enorme carregava em sua mão o velho Gepeto e contrariando as súplicas do menino de madeira ele comeu a cabeça do bom velho. Pinóquio acordou assustado, e eu peguei meu Mirabel que havia caído no chão.

O Labirinto de Fauno teria o mesmo efeito, se hoje tivesse a mesma idade. Obra fantástica de Guillermo Del Toro facilmente se classifica como um dos melhores filmes de 2006. E é uma pena que ele tenha sido quase que ignorado pelos cinemas nacionais. Resta esperar pelo lançamento em DVD.

A fábula começa contando a história de uma princesa do mundo subterrâneo que era muito curiosa a respeito do mundo dos homens, um dia ela fugiu para cima, e morreu. Ao Rei do mundo subterrâneo restou esperar até que a alma de sua filha retornasse ao mundo terreno.

Em 1944 a Espanha era um território ocupado pelo fascismo, grupos de resistências comunistas se formaram pelo interior e eles eram violentamente combatidos pelo exército local. Vidal é o capital sadista responsável por essa porção milica no enredo. Sua esposa aguarda um filho dele e vai ao seu encontro na base instalada no interior, junto com ela a filha bastarda, fruto de outro casamento.

A garota é Ofélia, garota de dez anos fascinada por livros de fantasia e conto de fadas. Chegando no velho casarão rodeado por florestas, ela conhece um Labirinto, dentro dele irá conhecer um Fauno, um ser estranho que diz que ela é a reencarnação da princesa fujona e  precisa passar por 3 testes para atestar sua pureza e só assim irá retornar ao rei e seu verdadeiro mundo.

O filme é realmente impecável, o tom gótico que deveria destoar completamente do ar fantástico e de fantasia ao contrário casa muito bem. Esqueça Tim Burton, Del Toro vai além! Os testes que a pequena Ofélia deve executar atestam essa superioridade, existe muitas metáforas e beleza por detráz de cada cena, em uma delas tive a completa constatação do que realmente é um "bicho papão" e pior, se é apavorante até para mim, imagino para um pivete. O outro lado, do mundo real é igualmente bem retratado com toda a violência e truculência fascista perante os rebeldes comunas, como se fosse um contra peso à fantasia proposta pelo personagem de Ofélia, ofertando ao espectador o que é real e o que não deveria ser.

Com certeza, Labirinto de Fauno não é um filme infantil, mas é onírico e belo como um conto de fadas para crianças grandes! Eu não sei se permitiria que meus filhos o vissem com dez anos, com certeza seriam no mínimo alguns dias sem dormir direito, mas ao mesmo tempo um rito de passagem para a maturidade!

E isso é sempre "dolorido". O Labirinto de Fauno dói como aquele episódio do Pinóquio, mas também fascina e coloca minha criatividade a prova ao entrar em contato com algo tão fantástico e surreal.

 

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