| Kung-Fusão ( Gon Fu ) - diretor: Stephen Chow China/Hong Kong - 2004 - review por evilgambit |
Gosta de filmes de Kung Fu? Gosta de comédia? Vai ao cinema com a simples desculpa da busca pela simples diversão?
Kung Fusão é seu filme.
Stephen Chow é de uma irresponsabilidade tremenda, no bom sentido ( !? ) ao atuar e dirigir esse já para mim consagrado clássico dos filmes pé na cara. Kung Fusão é diversão pura, é uma revogação dos direitos dos chineses em se tratando de filmes de porrada ( numa clara referencia ao conceito de lutas que Matrix tentou permear como seu no ocidente ) , homenageia os desenhos animados em especial os clássicos da Warner como Papa Léguas e Dragon Ball com furiosas, impressionantes e acima de tudo, divertidas cenas de luta.
Eu chorei quando a pancadaria começou. É sério.
Se você conhece o outro filme de Chow, o clássico Shaolin Soccer ( acabou de sair em DVD no Brasil com o impressionante nome: Kung Fu Futebol Clube ) já deve saber mais ou menos o que lhe espera nos próximos 95 minutos dentro da sala escura do cinema. Chow é mestre em aliar uma comédia pastelão pura, ingênua ao kung fu potente e autentico dos chineses, no filme em questão ele aliou a arte futebolística ao encanto das artes marciais e deixou o devaneio e despirocagem total para a seqüência final do filme.
Em Kung Fusão a louca típica do ator/diretor desponta logo de início e para meu deleite, no meio do filme era praticamente impossível prever o que aconteceria na seqüência, as idéias são tão... tão... absurdas não é a palavra correta, mas louca talvez, que me lembram bastante citando novamente os desenhos honradamente homenageados, e não havia tempo para preconceitos com as loucuras do diretor, o compromisso dele é te fazer rir, e isso é inquestionável, ele consegue com maestria.
A história gira em torno da vila Chi-Queiro ( você leu corretamente ), um lugar pobre muito parecido com a vila do Seu Barriga onde todos viviam em paz, já que a famosa Gang do Machado só se interessava por lugares que realmente valesse a pena aterrorizar. A vila é comandada com mãos de ferro ( literalmente, e quando digo isso, imagine o pior ) pelo casal conhecido como Síndico e Síndica ( sem dúvida nenhuma a minha personagem favorita ). Sing ( Stephen Chow ) e seu amigo gordo ( aquele mesmo de Shaolin Soccer ) chegam na vila, dois malandros que aplicam golpes nas pessoas se passando por membros da tal Gang do Machado, este é o maior sonho da dupla de atrapalhados.
O golpe é descoberto pelos moradores da vila do Chi-Queiro, os dois acabam se dando mau, duplamente. Pois a Gang acabou de chegar na vila. O que se segue, é uma das mais belas e mirabolantes cenas de luta que já vi com meus olhos orientais pois descobre-se que na vila se escondem alguns temidos mestres das artes marciais. Vou parando por aqui porque posso comprometer seriamente sua diversão.
Mas preciso comentar:
- O tal lutador número 1 que enlouqueceu de tanto praticar Kung Fu é uma grata surpresa.
- A cena dos dois matadores de aluguel é.. mágica. Espetacular. Simplesmente sensacional. São summons atacando nossos heróis?!
- O filme, assim como Shaolin Soccer tem seu momento romântico, chave para a trama diga-se de passagem e ele é doce sem ser piegas. Coisa que só Chow consegue fazer inserindo isso na loucura que é o filme é um feito e tanto.
- Com certeza você já se perguntou porque esses malditos mestres shaolins adoram dar nomes bizarros para seus golpes secretos, este filme deixa bem claro isso. "Uau, o golpe do Sapo não é páreo para a PALMA DE BUDA"
- MEU DEUS O RUGIDO DE LEÃO PODE SER AMPLIFICADO?!
Chow conseguiu definir um novo parâmetro de filmes, os seus. Fica claro o seu compromisso com a diversão do espectador. Porém em nenhum momento você é tratado como idiota, o enredo é leve, as lutas não são prêmios idiotas para quem quiser agüentar diálogos insossos, o filme devolve aos chineses a autoria sobre filmes de luta e toda a potencia a adrenalina que só eles realmente sabem fazer na grande tela. Se Herói e Clã das Adagas Voadoras mostram a nós ocidentais o que são lutas marciais como estado de arte, se Casshern mostra como pode ser um super herói infantil com orçamento milionário não soar infantil, ou se o coreano Oldboy diz que Tarantino ainda tem muito a aprender com seus amigos diretores, Kung Fusão mostra que cinema pode ser tratado como diversão, leveza e maestria, como poucos conseguiram até hoje. É melhor que as distribuidoras acordem para isso, o cinema oriental carece de mais salas aqui.