KING KONG - direção: Peter Jackson - EUA 2005 - review por evilgambit

 

Todo mundo conhece a história do macaco gigante capturado pelo homem moderno e inescrupuloso, levado a Nova York como mera atração e seu  trágico final. Muitos não viram a versão original de 1933 e sim o remake dos anos 70. O original é maravilhoso, tanto na versão original em p&b quanto na colorida por computador. O remake tentou atualizar o enredo para tempos atuais, derrapou um pouco na qualidade, mas ainda sim é um bom filme ( apesar daquela cobra de borracha.. ).

Peter Jackson, o diretor aclamado por sua maravilhosa adaptação do Senhor dos Anéis para o cinema abraçou a idéia de um segundo remake, desta vez fiel ao original de 1933 e usando e abusando de todo poderio tecnológico existente atualmente. A idéia era boa, mas eu tinha muito medo que o enredo se perdesse, o conteúdo se diluísse em tamanha overdose de efeitos especiais.

E isso não acontece neste novo King Kong. Felizmente o diretor optou em recriar o mundo dos anos 30, afinal se você quer ver um Kong nos dias de hoje,  há o ecochato Poderoso Joe!

A história começa devagar apresentando todos os personagens, e como ocorre nas duas outras versões, 3 personagens verdadeiramente merecem o espaço, para bom andamento do filme: A bela e loira Ann, a atriz desempregada que abraça o projeto para ser a mocinha num filme exótico mas não erótico ( Naomi Watts é linda, neste filme ela está magnífica ) de Carl Denham ( Jack Black, sério desta vez, mas ainda caricato na medida exata para o papel de um diretor que ao invés de manter seu amor ao cinema apenas, transbordou-o para a necessidade de fama e dinheiro ) e o Kong, o rei! Existem alguns personagens secundários, aparentemente sem importancia para a trama, como o roteirista e paixão da loira, o cozinheiro ( Popeye ou Andi Serkis? ) e uma boa relação pai e filho com dois personagens, marinheiros no navio que parte para seu destino trágico.

Nas 3 horas de filme ( longo, mas depois que o macaco surge, desce redondo ), é só depois de quase  uma hora é que a tripulação do navio chega à Ilha da Caveira, local onde será filmado o projeto de Denham. Em instantes descobre-se o porque do nome macabro da ilhota e toda a selvageria nele alocado. A loira é seqüestrada pelos aborígines, que adoram o macaco gigante como um deus e a oferecem como presentinho, forma-se um grupo de resgate e todos vão salvar a moçoila. Isso você já viu, não há muitos spoilers a menos que você seja um completo e nefasto ignorante em matéria de cinema ou nasceu ontem.

Eu vou te contar, desde pequeno sou fascinado por dinossauros, eu sempre imaginei como ficaria a luta de Kong contra um T-Rex como ocorre na versão original de 33 ( coisa que não existe no primeiro remake ) mas com um toque ILM da vida, lembro-me que quando vi Jurassic Park 3 essa cena me veio a tona imediatamente em determinado trecho do irregular filme. Pois é, hoje eu virei para minha namorada e disse: "bem, eu gozei..."

E foi bom, que delicia que foi! E para confirmar que a fama dos tiranossauros rex como o fodão dos gigantes já não é das melhores, o rei Kong não sai no braço com apenas um T-Rex, MAS COM 3 DELES, e detalhe, enche-os de porrada com apenas UM braço, já que no outro ele carrega a preciosa loira ( todos querem comer a Naomi Watts, que coisa ). É uma cena embasbacante, quando você acha que a tecnologia digital já não pode mais te surpreender e fazer você desconfortavelmente empurrar o cidadão do assento da frente com seus pés, isso acontece e graças ao talento do hoje magro, Jackson. Ele guardou o anel do poder no bolso mermão, e está fazendo bom uso dele.

E esta cena não é a única, a seqüência do estouro da manada de brontossauros e o ataque dos insetos também são maravilhosas! Importante ressaltar que os efeitos especiais embora muitíssimo bem elaborados não são lá perfeitos, e apesar do timing correto na interação atores e cenas em CG, é possível notar em pequenos trechos quem é vivo e quem é pixel. Nada que atrapalhe a experiência do filme no entanto.

Quando Ann é capturada por Kong, a agressividade do gorila é latente e porque não dizer assustadora mas aos poucos ele mostra um lado bem peculiar e porque não dizer, humano. Andi Serkis, o Gollum dos Anéis emprestou mais uma vez seus movimentos para a versão digital, desta vez do macaco, suas expressões seja malvadão ou risonha ( !! ) são muito convincentes, metade do sucesso do filme dependia disso e a missão foi cumprida, você se convence que aquele é um macaco gigante e pior, que está rindo e se divertindo num mágico momento que merece entrar para a história do cinema.. A efetuosidade de Ann com o macaco ocorre de forma divertida ( isso eu não vou spoleiar, claro )  e o toque de fantasia, com essa amizade na essência da palavra é que cativa o expectador até o final do filme. Embora seja fudenhador a destruição que Kong cause quando solto em NY ( já viu bom filme americano sem perseguição automobilista? então prepare-se... ) eu curti toda a putaria formada, mas o que já me cativava ali era o desfecho dos personagens  e como sabidamente tudo aquilo iria acabar, o final rende uma árvore queimada nos seus olhos e talvez um momento de fraqueza nessa sua pose de macho incauto, mas se Kong é um filme de ação, então porque você está chorando?

Eu daria uma lista de motivos, mas uma palavra basta: "Lindo"

 

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