Initial D  -  Direção: Andrew Lau Wai-Keung Alan Mak Siu-Fai -  Japão/China 2005 - crítica por evilgambit

 

Initial D é um famoso mangá e depois anime, de Shuichi Shigeno com um tema simples e sedutor: carros! Os japoneses sempre tiveram um amor, muito parecido com o nosso, pelos automotivos, sendo quase obrigatório lembrar o sucesso aqui e lá do lendário Speed Racer. A mania do Tunning que virou moda graças ao sucesso do filme americano Velozes e Furiosos, só ascendeu a chama para que a cultura dos rachas urbanos fosse mais popularizados  no mundo todo. No Japão o modismo não existe, lá a cultura do tunning é forte a muitos anos, a juventude ama carros e velocidade.

Quando os diretores Andrew Lau Wai-Keung e Alan Mak Siu-Fai anunciaram a versão live action do anime&mangá muita gente ficou esperançosa. Afinal era a vingança dos orientais em retratar esse tipo de filme da forma deles. Mas então, a tarefa foi bem efetuada? É melhor que Velozes e Furiosos?

A resposta é sim!

Para começar, se você é purista e conhece bem o enredo do mangá, esqueça o filme. Melhor nem assistir. Assim como em Casshern (desculpem se eu cito essa obra prima em demasia ), o enredo foi reestruturado, os personagens levemente alterados, tudo para que a adaptação soasse interessante a todos, conhecedores do mangá ou não. Mas assim como Casshern, a essência do anime ( principalmente ) foi mantida, a sensação de estar vendo um anime e não ou live action é constante, as tomadas de câmera com closes rápidos, uma edição videoclipe muito bem casada com o estilo do filme e principalmente um enredo descompromissado, que começa até desanimador e vai crescendo, assim como o carisma de todos os personagens, até o clímax da corrida com os 3 carros descendo a montanha empolga o espectador.

A história gira em torno de Takumi Fujiwara, um estudante que passa o dia trabalhando no posto de gasolina do pai de Itsuki, ambos são amigos desde a infância e cultivam o sonho de serem pilotos profissionais e não lavadores de carro pelo resto de suas medíocres vidinhas.

Os dois passam as madrugadas descendo a ladeira da montanha Akina, com sinuosas curvas, usando técnicas de drift. Ali passam a competir com outros corredores. O charme do filme é o carro de Takumi, um velho Toyota Trueno AE86 especialmente modificado para as corridas, pelo seu pai, um ex corredor que agora passa o dia dividido em dar uns tapas na orelha do filho e preparar Tofus para entrega. Coisa que o filho faz absurdamente rápido, se é que me entendem.

O grande tesão do filme é a relação de Takumi com o AE86, não conheço melhor filme para retratar o "sentir" o carro, como neste e ai mora o grande diferencial deste para com seu rival americano, Initial D prima por cultivar o amor do piloto pelo carro, pelo carro velho e ultrapassado que com o conhecimento certo, torna-se uma máquina possante o bastante, pasmem, para superar um GTR e até um Lancer Evolution III! O enredo também reserva gratas surpresas, como o romancezinho do Takumi com a bela Natsuki ( a gostosinha Anne Suzuki de O Retorno ) e ela parece ser a grande chamada para uma seqüência do filme, e eu espero que o façam. O filme tem potencia  para ser um referencial em filmes do gênero, tanto que em sua estréia, ele ofuscou completamente Star Wars Episódio III nas bilheterias chinesas.

Exagero talvez, ainda mais levando em consideração o sistema de cotas para filmes estrangeiros naquele país, mas isso não tira o mérito de Initial D, o filme peca se for feita uma comparação seca com o mangá, mas com certeza mantém o mesmo carisma da obra de Shuichi Shigeno, tem aquele humor quase babaca que casou muito bem com o personagem de Itsuke e mostra corridas empolgantes: apesar de todas rolarem no mesmo cenário, cada uma reserva uma surpresa! O uso de CG é quase nulo, a competência dos pilotos nas gravações é comprovada com deliciosos drifts, em especial nas ultrapassagens, aquelas nos momentos finais, com os carros quase de lado na curva em S.

 

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