Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal  - direção: Steven Spielberg  - EUA/2008  - Crítica por evilgambit

Tem 3 coisas fazem de Indiana Jones uma franquia a ser lembrada, sempre:

1- O protagonista carismático, irônico, corajoso, culto, espertalhão e interpretado pelo Han Solo.
2- Uma premissa sem complexidade, que envolve explorar um local inóspito em uma época onde ainda havia fascínio pelo desconhecido, os filmes exploram a seu modo um mundo desconhecido pelo homem moderno, dando uma versão pipoca de eventos e objetivos arqueológico que atiçam a curiosidade do cidadão que adora uma pipoquinha.
3- Steven Spielberg.

O 4º Indiana Jones é um projeto antigo, o último filme da trilogia é do final da década de 80, Harrison Ford, George Lucas e Spielberg nunca chegavam a um consenso, seja de tempo disponível ou enredo suficientemente bom para tocar o projeto. Finalmente tudo se acertou e temos depois de 20 anos mais um autêntico Indiana Jones com toda pompa e charme que uma imensa sala de cinema consegue proporcionar a uma pessoa tão suscetivel à comoção típica de fã como eu.

O subtítulo "O Reino da Caveira de Cristal", acredite, não consegue expor a premissa da aventura. Diferente dos outros que situavam de cara qual era o objetivo básico. Este novo filme teve que se situar em outra época, a Caveira em questão é quase um item meramente ilustrativo porém tem sua função no final da aventura. O charme do filme foi compor um novo ambiente agora no pós guerra, com toda sorte de itens que faz dele um autêntico filme de aventura situado nos anos 50 (Elvis, Área 51 e Bombas nucleares?), mas mantendo o mesmo clima típico da série. Os nazistas do último filme deram lugar aos Soviéticos, a nova vilã interpretada por Cate Blanchett deve ser a melhor vilã da série, graças a sua beleza e talento peculiar.

Eu fui ao cinema sabendo muito pouco sobre o enredo e foi interessante apreciar o andamento do mesmo. Não inova em absolutamente nada e agrada exatamente por isso. As cenas de ação são soberbas, evidenciando a competência de Spielberg pois só ele sabe compor cenas de ação com doses exatas de adrenalina, efeitos especiais e humor. Mas vale ressaltar pequenos, er... exageros como um momento Tarzan (ainda sim, hilário), pica pau "desce" a cachoeira e a grandiosa geladeira à prova de tudo.

Duas pessoas me disseram que gostaram do filme sim, mas que preferem os antigos. Não consigo selecionar um preferido na antiga trilogia porque basicamente eles tem as mesmas qualidades e na mesma quantidade. Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal tem o mesmo Harrison Ford fanfarrão, com o peso da idade sim, mas ainda 100% apto para convencer como o arqueólogo mais atípico do mundo, a premissa da tal caveira de cristal conseguiu unir elementos deliciosos da década de 50 com o mesmo clima romântico da primeira metade do século 20, cativante. E as situações inusitadas, elementos de ação vertiginosa e as vezes bem forçadas estão lá. Agora são 4 filmes onde decididamente eu não consigo visualizar um preferido, todos são bons, todos são Indiana Jones do começo ao fim.

E como trata-se de um enredo "escrito" por George Lucas, não dá para deixar de comentar o carisma de Shia LaBeouf que pelo menos a mim convenceu como um pretenso e quem sabe futuro protagonista em uma série renovada e possivelmente carregando a mesma alcunha. O cara é bacana e tem a genética apropriada. Ainda diversos diálogos comentando a lacuna de tempo entre o terceiro e o quarto filme caberiam como lucrativa exploração, em outros formatos de mídia? É nosso querido George Lucas sempre pensando no futuro.

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é antes de mais nada um "revival". Muito moleque hoje não consegue ver tanta graça assim na antiga trilogia, felizmente o novo filme não foi feito exatamente para cativar novos públicos mas para agraciar os velhos fãs da série, não traz nada de novo e isso não faz falta nenhuma. Eu não tenho idade suficiente para dizer que vi todos os filmes no cinema, mas consigo imaginar o quão delicioso deva ser após tantos anos ouvir dentro de uma sala de cinema a magnífica trilha sonora de John Willians. Foi por isso que no final do filme eu apreciei por uns bons minutos a musica nos créditos finais. É a última vez que poderei fazer isso no cinema? Quem sabe. Importante é que degustei bem o momento.

 

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