| Guia do Mochileiro das Galáxias - Garth Jennings 2005 - review de cinema por evilgambit |
A adaptação para o cinema do Guia do Mochileiro das Galáxias corre o risco de passar praticamente desapercebido e tornar-se um cult para quem leu o livro ( e que tenha a mente aberta para adaptações... ) , aqueles que gostam de filmes de aventuras típicos dos anos 80 e quem saboreia com gosto aquele humor inglês que tanto adoro. Quem não leu o livro corre o risco de boiar e acho que não vai ter guia que faça um leigo sacar qual é a do filme, bom, leia o resto do review!
O Guia do Mochileiro das Galáxias é o primeiro de uma série literária escrita pelo inglês Douglas Adams, série que foi também veiculada com grande sucesso no rádio e é praticamente um ícone nerd com humor nerd mundo afora. No Brasil o sucesso é bem menor, mas tem fãs fieis e calorosos. O filme retrata o primeiro livro, Arthur Dent é o típico inglês, medíocre em sua vida pacata é pego de surpresa quando descobre que sua casa será destruída para que seja construída uma via de acesso, um atalho rodoviário. Desesperado e indignado, ele se joga na frente do trator e introduz uma insólita discussão com o líder da obra. No mesmo instante chega Ford Prefect, um negão ator desempregado com um carrinho de supermercado lotado de latas de cerveja, ele atrasa a demolição da casa, mas parece preocupado com outra coisa.: O fim do mundo! Chegam em um pub, tomam uma caneca de cerveja e Arthur, que já não está em um dia bom, descobre que seu melhor amigo não é um ator desempregado e sim um ET e que a Terra será destruída sim, para que se melhore o tráfego intergaláctico ( HEHEHE ). Ford deu uma chegada na Terra, para atualizar dados sobre nosso planetinha azul no Guia do Mochileiro das Galáxias, uma das maiores fontes de informações sobre qualquer coisa que lhe interessar, tem um preço acessível e o mais importante de tudo, vem escrito em letras garrafais na contra capa: NÃO ENTRE EM PÂNICO!
Uma vez na galáxia, soltos como
dois verdadeiros mochileiros os dois amigos acabam na Coração de Ouro, a
insuperável nave espacial movida por Improbabilidade Infinita, que pode lhe
levar a qualquer lugar em instantes ( isso não foi fielmente retratado
e convenhamos, teria que ter um filme só para isso... ), esta roubada pelo
presidente da galáxia ( ?! ), o Zaphod Beeblebrox, uma figura que
lembra um rockstar em fim de carreira mas com seu charme e Trillian, a fêmea
terráquea salva por mero acaso em uma visita do presidente em nosso
planetinha. O filme prossegue, com bons momentos e outros nem tão bem
adaptados com um tema básico, a busca pela PERGUNTA FUNDAMENTAL e
filosófica, do tipo, da onde viemos, para que viemos e o que iremos comer
mais tarde? Sobressai-se uma
divertida crítica a nossa sociedade, a nossa burocracia, a religião e nossa tendência em
sermos simplista demais e/ou complexos em demasia em momentos incertos,
embora o filme não acerte dignamente nesta tecla, coisa que o livro faz
brilhantemente, isso não deixa de ser seu maior charme. Além do que Marvin,
o robô depressivo rouba todas as cenas em que aparece, muito bem transposto
para a telona.
O diretor Garth Jennings manteve os espírito da obra de Douglas com
maestria, o tom nonsense impera no enredo e situações no mínimo bizarra se
sucedem durante a película ( os tapas na cara no planeta dos Volgons e os
atores feitos de lã após uma bem sucedida viagem via Improbabilidade
infinita)! As explicações sobre fatos e observações citadas durante o filme
são divertidas e lembram esses quadros humorísticos do Fantástico ( isso foi
um elogio, acredite ).
O ruim? Bom, John Malkovich faz Humma Kavulla e ele se tornou o líder daquela
seita que acredita que todos viemos do ranho divino ( se você não leu o livro,
ou ficou curioso ou passou a temê-lo após essa frase! ) e dói ver um ator desses
ser praticamente sub-utilizado na trama. Adicionaram um pouco de romantismo,
pois Arthur Dent no filme é apaixonado pela Trillian, esta ganhou maior
participação, mas parece que esqueceram daquele lance que ela era muito
inteligente, para deixá-la apenas como suporte amoroso para Dent. O final então,
putz, nem vou comentar, deram um jeito de insinuar uma seqüência ao mencionar o
Restaurante no fim do Universo, mas com um happy end desses, a continuação seria
bem mais descompromissada com os livros e isso definitivamente não me agrada. O
próprio Douglas Adams adaptou a história
para o cinema, não sei ao certo se a versão final do enredo é a que ele
escreveu, mas pensando bem o filme é nonsense demais para ser obra de um simples
roteirista, desses bem medíocres do cinema americano. É uma pena que o autor não
pôde ver sua obra ganhar movimento, pois ele faleceu em 2001 e o diretor
que não conseguiu deixar o filme mais acessível para quem não leu o livro ou é dotado de
um QI menor que o necessário para tal!
Mas deixando claro, o filme é bom, eu me diverti e muito. Mas se você não leu o
livro e não gosta/ou/não entende humor inglês, passe longe, vá ver Sahara e não
jogue seu dinheiro fora!