Final Fantasy VII Advent Children - direção: Tetsuya Nomura - Square Enix 2006  - review por evilgambit

 

Final Fantasy VII é um ícone nos videogames, o primeiro da série em 3D e num console que não era da Nintendo, nasceu em 96 para Psone e diferente dos outros da série ganhou o gosto de todos, e não dos somente dos fanáticos gamers, que jogam aqueles jogos esquisitos: os rpgs.

O sétimo game deu um tremendo gás para a franquia, completamente remodelado com a então nova geração de consoles pela primeira vez usava dois dos que seriam os grandes trunfos da maioria dos games que viriam a nascer.

- Um enredo rebuscado e mais adulto, uma trama muito bem escrita de fato

- Computação gráfica para ilustrar passagens importantes, sejam nas tradicionais CG´s ou cenas que utilizaram do próprio engine in-game do mesmo.

Não que os outros games da série não tivesse enredos rebuscados e maravilhosos, mas FFVII tinha como grande trunfo uma melhor técnica cinematográfica para contá-la, não dependendo mais da boa vontade e imaginação do jogador com aqueles bonequinhos cabeçudos em sprites dengosos. Existe uma cena clássica, a morte da Aeris; ela é de fato um marco na série, não há quem não tenha se chocado e  não tenha se utilizado disso como força de vontade para continuar a jogar o game só para cravar a espada no peito de Sephiroth...

... Ah! Sephiroth

Tornou-se um dos vilões mais amados dos videogames, estiloso, poderoso e mau, porém louco. Um típico personagem para cair nas graças do povo. Mas FFVII não tinha só isso, tinha Cloud, um personagem amargurado porém integro, o nigga Barret do Greenpeace, a bela Tifa e tantos outros, com personalidade e carisma suficientes para fazer com que FFVII seja para muitos o melhor da série e arrisco dizer, a melhor das coisas à se jogar na frente da TV.

Eu confesso que adorei o game, porém, sou de outra geração de jogadores. O meu grande choque foi descobrir que haviam enredo nos videogames, e isso no Nes. FFIV e FFVI são de longe os meus preferidos, porém ao contrário dos fãs mais xiitas vi com bons olhos a evolução da série até o seu atual ápice, com o quase filme FFX. FFVII nunca foi meu melhor game, apesar de respeitá-lo e jogá-lo inclusive mais de uma vez ( raramente faço isso ). Depois de alguns anos muito se falou sobre uma seqüência para o game, a Square nunca confirmava ou negava e até que finalmente veio a resposta, a história dos personagens iria continuar, mas não nos videogames e sim no cinema.

Final Fantasy VII Advent Children é a segunda tentativa da hoje, Square Enix em compor uma produção para o cinema, sua primeira tentativa foi em grande estilo, Final Fantasy The Spirit Within consumiu milhões, tudo para que ele fosse completamente produzido em computação gráfica, era a revolução do cinema diziam, os atores seriam aposentados diziam... o filme estréiou e acho que só ficou eu na sala empolgadão após o término da seção. O filme pecou gravemente em dois aspectos, primeiro porque de Final Fantasy não tinha bosta nenhuma e segundo, o diretor e criador da série Hironobu Sakaguchi viajou completamente na maionese, escrevendo um enredo complexo demais para essa nova geração de jogadores, que adoravam as lutas contra os weapons do mau, mas estavam pouco se lixando para o enredo. O filme tinha um enredo MUITO interessante e completamente permeável ao seu subtítulo, foi um assombroso avanço no uso de computação gráfica, mas uma grande vítima do seu próprio hype, ninguém gostou porque o enredo era "chato" e porque não tinha matérias, não tinha chocobos, não tinha a fanfarra que toca ao final de uma bem sucedida lutinha e não tinha aqueles vilões estilosos e os heróis emburrados e com cabelo engraçado.

Bom... Advent Children é completamente o inverso.

Final Fantasy VII Advent Children é acima de tudo um presente para os fãs, se você jogou o game, prepare-se para se sentar e afundar no sofá quando a pequenina Marlene começa a recapitular o que você jogou e apresentar o novo visual deles, é de arrepiar todos os cabelos do seu corpo sem exceção, você vai se perguntar: " MEOW PORQUE ESTOU DE PAU DURO?! ".

É. Artisticamente temos um transplante do game para a mais poderosa computação gráfica do planeta, e não há um pingo de exagero nisso. A Square Enix atrasou muito esse filme, e tudo fica perfeitamente justificado indo desde aos cenários, verdadeiras recriações do game para o mundo "real" , modelos dos personagens com um motion capture de dar inveja a qualquer produção da Dreamworks ou até mesmo da Pixar, e com cenas de luta de devem ter deixado o pessoal da produção de Devil May Cry 3 da Capcom para o PS2 com aquele ar de :  "hum, eles jogaram nosso game". O forte deste filme sem dúvida nenhuma é seu visual, tanto que é uma pena que ele seja exclusivo para DVD e o UMD ( o formato de filme do PSP da Sony ), é verdade que foram realizadas algumas exibições nos cinemas japoneses por esses dias, mas isso é sorte de orientais.

O enredo dá seqüência exata ao game, após 2 anos o mundo segue com sua vida apocalíptica, as crianças parecem vítimas de uma estranha doença, a Seikon-Shoukougun ( Geoestigma ). A Shinra, que no passado ajudou a destruir o mundo convertendo o Lifestream do planeta ( algo como a alma , a "coisa" que dá vida a tudo ) agora quer se redimir reconstruindo o que foi destruído no PSone, e para isso luta contra uma enigmática gangue de metrossexuais, os Kadajs. Esses caras querem destruir o mundo e refazer a seu modo, para isso querem recuperar a "mãe", a cabeça da mãe de Sephiroth ( Jenova ), o vilão que foi derrotado por Cloud no game. Cloud por sua vez, esta amargurado pela culpa ( Aeris ) e a procura da cura para a  Seikon-Shoukougun, que aparentemente só afeta quem se utilizou da lifestream, uma espécie de castigo?

Não se engane com o parágrafo acima. Na verdade o ponto mais fraco do filme. Tudo é uma desculpa para a ação divertida, ininterrupta, tresloucada e rápida. É claro, todos os personagens principais do game aparecem numa BELA cena de luta contra um GRANDE monstro do game. Se no game o enredo e a profundidade dos personagens era um dos pontos fortes, é quase que irônico que sua versão cinematográfica definhe exatamente neste quesito, mas apesar disso houve a preocupação em ser fiel ao game no quesito fidelidade dos personagens, a Tifa ainda é aquela moça bonita que dá força ao Cloud, Vicent ainda é estiloso, enigmático, Barret é um negão de presença e até o grupo de agentes da Shinra, os Turks são brilhantemente representados por Rude e Reno, o alívio cômico da película.

Se o enredo é simples, porém efetivo e pé no chão ( diferente do Spirit Within ), vamos comentar o que o filme tem de melhor, as fodidas cenas de ação. Existem momentos marcantes, como a já comentada luta do grupo todo contra o summon, uma espetacular luta de Cloud contra a gangue de Kadaj na floresta e a melhor na minha opinião: a luta encima das motos na auto estrada. Não tem como não se impressionar com a criatividade e plasticidade dos orientais em criar situações tão doidas em filmes de ação, dê a eles o ilimitador criativo do CG e temos Advent Children, é de se tirar o chapéu e pronto final.

 

Enfim, Final Fantasy Advent Children era tudo que nós queríamos ter visto em 2000 no Spirit Within. É um filme feito para quem jogou o game, são tantas referencias, que fica até chato ilustrá-las aqui. E isso pode ser um tanto enfadonho ( para não dizer broxante ) para o espectador que nunca jogou o game ou nenhum outro da série. Para nós no entanto que vimos Aeris morrer, presenciamos o uivo triste de Red XIII na montanha ao lado do pai, rimos da cobiça da Yufie pelas matérias, vimos Cloud levantar sua espada pela última vez contra o já consumido pelo ódio; Sephiroth....  e estávamos morrendo de saudade da pequena Marlene, fica aquele gostinho de presente dado pela Square Enix.

É um presente bem feito, porém melhor apreciável para os 3 milhões de jogadores ao redor do planeta. Se você não é um deles, já não sei se o recomendaria.  E fica claro que o filme é um belo empurra para uma série de novos games e até um anime (ele vem no box especial deste) que poderão contar em detalhes algumas coisas que ficaram meio nebulosas no filme, e ainda sim quem sabe, serem games divertidos. Quem viver verá. Enquanto isso a Square Enix fatura com seu passado!

 

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