Constantine - direção: Francis Lawrence - 2005 EUA - review por evilgambit

 

Francis Lawrence é um afamado diretor de video clip, em especial os da Britney Spears. Constatine é um "herói" criado por Allan Moore, um cultuado quadrinista,  para a  revista Hellblazer da editora Vertigo, publicação típica dos mais aficionados por HQ´s, menos pop e mais cult por assim dizer. Coloque ainda Keanu Reeves, como o protagonista e tenha em mente que houve o mínimo de fidelidade na adaptação. O que daria  tudo isso?

Deu boa coisa, te garanto. Como filme para quem não lê a HQ fonte de inspiração pelo menos. Se você é daqueles que dorme abraçado com sua revistinha e diz que tem ereções com um roteirista de HQ, ae já tenho minhas dúvidas se vai ou não me chingar e dizer que sou um japonês lazarento!

O negócio é que eu não conheço Constantine e a revista Hellblazer, ou melhor, agora conheço um pouco. Li alguma a respeito e conversei com meu heterossexual assessor para assuntos gibinescos, o Diego. Na nossa conversa, deu para sacar algumas disparidades absurdas:

- O cenário passou de Londres para Los Angeles
- Keanu Reeves é moreno, o Constantine do HQ é loiro
- É Keanu Reeves
- "Puta Merda Daniel, eu vi o trailer agora, o que é essa arma em forma de cruz?!"
- "KEANU REEVES É VIADO"
- "Nossa, a menina do Múmia, ela mostra os peitos?"

Como podem notar, a conversa foi bem produtiva e inteligente! E deu para mim ter uma perfeita idéia de como o filme é muito pouco fiel ao HQ, mas em se tratando de Allan Moore e um filme adaptado para cinema pipoca americano, no final das contas só tenho que dizer que Francis Lawrence fez um trabalho no mínimo, competente. O filme podia ter falhado terrivelmente e olha que  ainda estou traumatizado com Elektra, Constantine foi uma grata e merecida surpresa :)

Se mudou a localidade da trama, basta dizer que Los Angeles está tão soturna, úmida e desolada como a cidade inglesa. O clima do filme também ficou bem interessante, bem dark e a ação é bem casada com uma fotografia que tenta não abusar de um ritmo clip da MTV desenfreado, mas que não chega a cansar o espectador que aprendeu a ver cinema nos anos 90, a atuação de Reeves e principalmente da Rachel Weisz, como a policial Angela Dodson está mais que convincente, pena que ela não mostra os peitinhos como lamentou me lerdo amigo!

E tava com um medo desgraçado de ter que agüentar uma trilha sonora regada com essas bandinhas de new metal falando de como é legal andar de skate e adorar o demônio depois do High School. A trilha sonora é incidental, comportada e está ali só para se somar as cenas!

O enredo é muito bom, muito bem estruturado! O que não deixa de ser uma surpresa, dada as toscas adaptações e principalmente se comparada aos mais recentes filmes de suspense que andam pintando por ae. Constantine é um exorcista que cuida de meter porrada e despachar para o Inferno os demônios que saem da linha. Essa linha é uma tênue equilíbrio que existe entre Deus e o Diabo, que fizeram uma aposta pelo destino da Humanidade, ambos podem sugestionar as pessoas com seus anjos ou demônios, mas nunca interagir conosco no nosso plano de realidade. As coisas começam a fugir do controle quando Constantine percebe que os devilzinhos começaram a pintar na nossa área e a policial Rachel bate na sua porta dizendo que sua irmã, católica fervorosa se suicidou! Enredinho meio pé nem cabeça? Claro! Mas só assistindo para se deliciar com a trama, com o bom uso do dom carismático e canastrão de Keanu Reeves e as belas participações especiais do vocalista do Bush, o desgraçado que comeu a vocalista do No Doubt, Tilda Swinton como o Anjo Gabriel ( meu personagem favorito ) e Peter Stormare como o diabo em pessoa, numa das cenas mais interessantes do filme, junto com Reeves no finalzinho. A porradaria está garantida com soco inglês sagrado, armas em forma de cruz, e aqueles personagens de suporte, que todo bom herói tem, e claro, Constantine também: tem o padre que lê Notícias Populares para checar a vinda dos capetas e um cara que faz as armas santas, deve fazer também para família Belmont, Ok, voltando, o filme não parte para a ação kung fu pasteurizado, se aproveitando mais de típica ação de filme noir, com uso de um bom revolver e uma água benta também, afinal... é o filme que é.

Se você espera fidelidade, acho bom se resguardar ou pelo menor ter idéia do que esperar. Mas saiba que temos aqui mais um belo exemplo de um bom filme de ação e suspense que não caiu em roubada, tem um enredo nonsense mas bem casado e estrutura e atores bem afinados com o tipo de obra! Não é a quinta maravilha do mundo, mas sacia seu tesão por porradaria num sábado a noite sussegado e você não fica com ódio do Cinemark por mais 14 reais roubados de sua carteira.

Se bobear eu até compro esse DVD...

 

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