Star Wars: The Clone Wars  - direção: Dave Filoni  - EUA/2008 - Crítica do filme e série por evilgambit

Basta ter o nome Star Wars para ser um sucesso comercial.

Esta afirmação não está longe da verdade mas  se você mudá-la para: "Basta ser do Universo Stars e pronto, é bom" e terá uma inverdade pois  o tal do Universo Expandido que alguns fãs virgens adoram destilar conhecimento tem conteúdo que vai do regular ao sofrível. Livros, por exemplo, poucos são realmente originais e abordam uma boa história sem usar como muleta situações dos filmes. Mas na esteira do Episódio III tivemos um raro momento de brilhantismo e liberdade criativa, estou falando de Clone Wars, a série de desenhos curtos dirigida pelo criador de Samurai Jack e exibida pelo Cartoon Network.

A simbologia da série estava ali intacta em uma série animada muito bem conduzida, focando na ação e tendo a preocupante missão de linkar dois filmes da nova trilogia. Foi um sucesso pois eles conseguiram não só angariar novos fãs mirins que encostavam seus traseiros para assistir o Cartoon Network, como também agradou os velhos porque a série focava em personagens secundários (mas nem por isso menos amados) e idealizando um velho sonho: mostrando a verdadeira força dos Jedi, tão enaltecida nos filmes antigos (e nos livros) e menosprezada na nova trilogia.

O sucesso da série animada, claro, abriu os olhos mercadológicos de George Lucas. Assim que a nova  trilogia foi finalizada ele foi rápido em anunciar uma nova série Clone Wars, desta vez feita completamente em computação gráfica e novamente focando nos eventos entre os episódios II e III. Você pode achar redundante e nem um pouco inovador. Bom, eu também.

E para fazer certo barulho eles decidiram lançar o seriado no cinema. Sim, um longa animado em computação gráfica nas salas de cinema de todo mundo foi o pontapé inicial para um seriado de Star Wars na TV. Nada mal! O problema é que o eu vi o longa e ele não me agradou, o grande problema do longa animado é que ele repete os  mesmos questionamentos que como fã fiz  ao assistir a nova trilogia. O filme é absolutamente focado na ação, o enredo ou desculpa para o desenrolar dos acontecimentos é no mínimo irrelevante e no caso tudo mostra-se uma desculpa esfarrapada para apresentar uma nova personagem, uma aprendiz (ou padawan, em starwarstês) para Anakin Skywalker.

Pois é, o cara virou Jedi por "express" e ganhou uma aprendiz por "delivery". E de cara temos a sensação de que George Lucas, lá quietinho sentado nas notas de dólares, teve a brilhante idéia de introduzir uma eloqüente personagem feminina apenas para angariar fãs do mesmo gênero. Nada contra, no entanto.

Como já salientei a ação é constante e devo dizer, muito bem feita  enquadrando-se bem no propósito do cinema pipoca. Porém devo dizer que esperava mais vindo de algo saído do bolso do Lucas. A animação embora competente sofre de problemas arcaicos, como a movimentação dura e robótica. Isso seria passável em Shrek 1, mas agora, em 2008?

Clone Wars "O filme" cumpre bem seu papel se o objetivo era apenas entreter por uma hora e meia na sala do cinema. Mas os fãs, acredito, desejavam bem mais que isso. Órfãos após uma nova trilogia cheia de pequenos desagrados e cientes da magia e old adventures dos três antigos filmes. É de se pensar que o seriado que viria a seguir, seria ainda mais descerebrado. Certo?

Errado!

Acabei de assistir os dois primeiros episódios de Clone Wars - A série, que atualmente esta indo ao ar nos EUA e deve chegar ao Cartoon Network tupiniquim só no ano que vem. E acredite, se você ficou desacreditado com a falta de sustância do filmeco, abra um sorriso de orelha à orelha.

A série animada tem o mesmo nível técnico do filme e isso é bom, afinal estamos falando de uma produção para a TV. A série prossegue o filme, já inserindo a padawan do Anakin como uma das estrelas do elenco. Apresenta personagens que todo mundo viu na nova trilogia, mas dando muito mais foco e conteúdo, e isso é muito interessante!

No primeiro episódio Yoda vai secretamente à um planeta ainda neutro na Guerra dos Clones para que o líder deste abrace o ideal republicano. Porém ele não sabe que Conde Dooku enviou sua pré-sith Asajj Ventress com o mesmo propósito. O líder do planeta propõe um teste para validar quem poderia proteger melhor seu planeta e o resultado são diálogos maravilhosos proferidos pelo velho e pequeno mestre verde, dando ênfase inclusive na personalidade dos soldados clones.

O segundo episódio é focado quase que exclusivamente no mestre Jedi Plo Koon, que comanda uma frota de naves imperiais com o intuito de investigar uma nova arma de destruição em massa dos separatistas. O enredo é bastante nobre e implica em mostrar a nobreza e heroísmo destes Jedi.

O seriado, ao que parece, promete cumprir o que não foi entregue tanto na animação feita para o cinema com o intento de inicia-la como a nova trilogia também, sem exageros. Como naquele outro Clone Wars, feito com animação à mão em 2003, esta série implica em validar o que mais importa no Universo Expandido da série, o conteúdo. O filme é bacana, diversão leve e não trás absolutamente nada de novo para os fãs, já o seriado tem bastante potêncial porque tem espaço e tempo suficiente para explorar várias facetas desta guerra e não fica preso ao foco dos Skywalkers por completo.

Isso sim é universo expandido. Numa galáxia muito, muito comercial.

 

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