| Filhos da Esperança - direção: Alfonso Cuarón - EUA/Inglaterra 2006 - crítica por evilgambit |
O ano é 2027 e já fazem 18 anos que o última criança nasceu. Desde então misteriosamente, as mulheres se tornaram inférteis, a humanidade já abalada com problemas de imigração ilegal, epidemias, guerras, terrorismo, enxerga finalmente um fim. E numa Londres sitiada pelo militarismo e o medo que tenta se impor duramente contra o inevitável desmantelamento da sociedade, vive Theo (Clive Owen, sempre durão mas com conteúdo) resignado e discrente, pronto para nada.
Até ele descobrir que sua ex mulher, agora uma militante contra o governo, descobriu algo surpreendente. Uma garota negra e grávida de 8 meses.
Filhos da Esperança (Children of Men) é espetacular, um dos melhores filmes de 2006 e infelizmente passou batido para mim e pelo visto (adoro conversar sobre filmes recém vistos que curti, via Internet) por muita gente. O diretor Alfonso Cuarón soube captar meticulosamente um ambiente degradante e pós apocalíptico realista, ou seja, todas as mazelas mostradas no filme em pequena ou explicita comparação existem no mundinho real. É o mundo globalizado, violento, opressor e parecido visualmente com Half Life 2.
Na primeira parte do filme o deleite é acompanhar uma tendência futurísticas muito crível, esqueça o design imac de Steven Spielberg com a futura sociedade rica, suburbana, arredondada e branquinha, o mundo em 2027 é urbano, poluído, altamente tecnológico e degradante. Na segunda metade do filme temos seqüências de tiroteio de fazer inveja a qualquer Gears of War do Xbox 360, o fodão de tudo isso é a maneira como o diretor filmou estas cenas, esqueça o visual videoclip de um duro de matar novo, a parada é viceral e num plano único de filmagem, de te fazer ranger os dentes a cada saraivada de balas que assovia pelas caixas de som.
O nome nacional entrega boa parte do significado da trama, existem cenas muito boas que fazem referencias à religião como o fato de Theo e a tal menina grávida fazerem piada sobre concepção numa manjedoura, outra cena memorável é quando um bebê recém nascido pausa momentaneamente um tiroteio feroz dos milicos contra os revolucionários. É bacana, filme assim dificilmente tem tanto conteúdo e beleza técnica, Alfonso Cuarón foi extremamente competente em passar para a tela sua concepção de mundo globalizado e fodido, mas deixa muitas coisas no ar, ou se preferir, subentendidas, principalmente o final. E muita gente acaba vendo isso como um problema.
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| "como assim, grávida?!" |