O Castelo Animado ( Hauru no ugoku shiro ) - direção de Hayao Miyazaki - Japão 2004 - review por Michel

 

Depois de uma estréia com filas quilométricas no Japão e uma badalada passagem pelo Festival Internacional de Cinema de Veneza, chega aos nossos cinemas o filme “O Castelo Animado” (Howl’s Moving Castle), o novo longa de Hayao Miyazaki, o velhinho mais genial da animação mundial.

Em “O Castelo Animado”, adaptado do livro infantil “Howl’s Moving Castle”, da escritora britânica Diana Wynne Jones, a mesma da série Crestomanci, acompanhamos Sophie, uma jovem chapeleira com uma terrível “baixa estima” que é enfeitiçada após se encontrar com a Bruxa das Terras Abandonadas. O encantamento a envelhece instantaneamente e a pobre garota fica com a aparência de como se tivesse 90 anos, com um nariz de dar inveja ao Costinha (descanse em paz). Atordoada com a situação, Sophie sai deixando tudo para traz, na esperança de encontrar uma solução para seu problema ou simplesmente se adaptar a nova realidade, mas logo ela se depara com o castelo errante de Howl. Assim ela seguirá seu caminho entre feitiços e guerras descontroladas.

Miyazaki novamente usa elementos fascinantes nessa produção. Na trama, o conceito de bem e mal é deliciosamente subjetivo, como é na realidade. É lindo como, de forma natural, Sophie demonstra compaixão mesmo por aqueles que realizaram atos de maldade. Os personagens deste filme, como em toda filmografia do diretor, são profundos. Muito carismáticos, é difícil dizer que não foi com a cara de algum deles (eu amo todos). O roteiro inteligente e divertido se preocupa em transmitir as sensações do mundo fantástico que passa na tela, sem pressa em resolver a trama, o que pode ser um belo obstáculo para algumas crianças ou a aqueles grandinhos acostumados aos filmes de animação histéricos e rasos que acometem nossas salas de cinema. Entre os temas abordados, os mais importantes são a auto confiança e, mais ainda, a guerra. A mensagem de paz do filme é forte e nos toca o coração ao mostrar que quem sofre nas guerras são os inocentes que ficam no fogo cruzado dos governos.

Acompanhando o roteiro temos uma arte igualmente fascinante. Os cenários meticulosos e cheios de vida nos fazem degustar visualmente aquele mundo com ares de Europa do começo do século, recheado de carros, veículos voadores e máquinas de guerra concebidos com uma interessante anacrotécnologia. A animação é 2D, com boa parte dos frames desenhados pelo próprio Miyazaki, com a presença de efeitos 3D usados de maneira sóbria e em função das seqüências em duas dimensões, de uma forma que eu só vejo sendo usada nas produções orientais, dando movimento aos cenários pintados. Composta por Joe Hisaishi, o compositor de outras produções de Miyazaki, a trilha sonora contribui para completar a imersão do publico para dentro da película, é a cereja que finaliza esse giga sunday cinematográfico.

É engraçado como todos esses elementos usados para construir os filmes de Miyazaki sempre estão lá para que nasça um filme novo e inteiramente fascinante. Aposto que se subir numa balança depois de assistir um filme do Ghibli eu esteja pesando menos que uma criatura da fuligem! he he he he


A Viagem de Chihiro perigou ter sido o ultimo filme dirigido por Miyazaki, mas a saída do diretor “especialmente convidado” do projeto fez com que ele voltasse a segurar a batuta de Howl’s Moving Castle, será que dessa vez ele pendura a caneta nanquim? Aproveite a chance de conferir essa obra no escurinho da sala de cinema, com uma tela bem grande para não perder os detalhes de cada quadro, um filme dessa categoria passando em nossos cinemas é um fato único, não fique no fechado fazendo chapéus enquanto a vida passa como uma locomotiva a todo vapor em sua janela!

 

 

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