| Brother - direção: Takeshi Kitano - Japão 2000 - review por evilgambit |
Filmes, as vezes você assiste e se apaixona por ele. Ruim, pois isso acontece sempre comigo, não sei se é porque sou facilmente fisgado por eles, se eu vejo filmes demais ou as duas coisas quem sabe. Com Brother foi assim; quando eu peguei o DVD esperava uns tiroteios, Yakuza, quem sabe espadas japonesas, ternos estilosos e umas japonesas peladas fazendo sushi erótico.
Me surpreendi!
Kitano é Yamamoto Aniki, um gangster da Yakuza, a tão sombria e estilosa máfia japonesa. Brother dá uma visão ampla deste universo, enriquece-o ao mostrar facetas já conhecidas como a lealdade, violência e sobretudo honra nesta casta de criminosos japoneses. E quando o chefe da família para qual Yamamoto trabalha é assassinado esta lealdade é posta em prova, a alternativa para seus leais lacaios é: morrer, ser aceito na família rival ( certamente morrer seria uma boa ) ou fugir.
Yamamoto escolhe fugir. Ele vai para a América, mais precisamente Los Angeles, a procura de Ken seu meio irmão. Lá descobre que como ele, Ken faz parte da criminalidade local. Muito interessante como o choque de "tradições" é mostrada, principalmente quando um típico Yakuza faz amizade com um traficante negro americano. O que esperar de uma união destas?
Sangue. A gangue de Ken que tem a função de apenas repassar a droga aos usuários logo, com interferência sumaria do irmão "Aniki", torna-se uma das gangues mais temidas das cidades. Logo, ela começa a interferir e incomodar os negócios das famílias locais: hispânicos, negros e por fim os italianos. Kitano não poupa esforços para tornar todas as seqüências extremamente violentas, sem nenhum pudor, mas ao mesmo tempo mantendo um ar estiloso incrível sobre elas.
Em determinados momentos em flashbacks Yamamoto nos mostra reminiscências do seu passado como Yakuza, até que um de seus companheiros resolve chegar na cidade. O "empreendimento" tende a crescer, e reviravoltas recheadas a sangue transcorrem a tela, tudo extremamente bem retocado, polido e ácido, como Kitano sabe fazer.
Porém não é a violência permeada ao filme que o torna único e sim o quanto de coração existe na história. Irônico afirmar isso em personagens tão bem caracterizado como badguys, mas quando o personagem de Kitano finalmente entende que um nigga conseguiu aplicar a essência da honra e companheirismo típica dos Yakuzas e ele retribui o favor ao amigo, ou quando percebe-se toques de humor e leveza muito bem encaixados em momentos cotidianos dos bandidos, ou quando um "irmão" sacrifica sua vida com alegria para que a "família" sobreviva, é que percebemos como a história é rica e como esse universo é realmente perturbador e trágico. Eu gosto do Kitano porque com uma expressão ele consegue transmitir o devido sentimento, a economia de palavras e diálogos é coisa típica dos filmes japoneses, bem como da sua cultura e isso é muito bem explorado no filme. Brother mostra que sim, os cineastas e nós adoramos essa visão bullet-blood e romantizada da máfia japonesa, Kitano surpreende ao incorporar humanidade a esses personagens como nunca vi igual.