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Batman - O Cavaleiro das Trevas - direção: Christopher Nolan - EUA/2008 - Crítica por michel |
Desde a
primeira vez que li uma história realmente boa do Batman, como “Batman: Ano Um”,
“O Longo Dia das Bruxas”, ficou impressa a vontade de ver um filme que fosse
realista com o personagem. Esse desejo foi agravado ao assistir filmes como 8
Milimetros, Seven, e outros filmes sobre crimes de igual densidade e seriedade,
que casariam perfeitamente com o homem-morcego.
Mas qual seria a reação ao ver esse sonho realizado? Para obter a resposta é só
ir ao cinemas, pois está em exibição a obra máxima já feita com um herói
originado nos quadrinhos.
Batman: The Dark knight não é só um filme de herói, é um filme de arte denso
sobre a luta entre as polaridades boa e má no interior da alma humana. O diretor
Christopher Nolan segue sua linha mais verossímil iniciada em Batman Begins,
superando longe o que já parecia perfeito no filme que reiniciou a franquia do
morcego nas telonas.
Para conseguir este feito, o cineasta conta com um roteiro escrito em conjunto
com Jonathan Nolan que traz tudo o que há de melhor dos longas policiais e
dramáticos. A carga psicológica chega a exaurir a platéia, de tão envolvida que
essa fica.
Os personagens estão encaixados perfeitamente, a relação entre eles não é
forçada e as interpretações dos grandes atores envolvidos só contribuem para
aumentar o convencimento de que eles realmente estão vivos e sofrendo em suas
lutas diárias na cidade de Gothan City.
Christian Bale mostra todo seu talento na pele do protagonista obstinado,
continuando com sua transformação assustadora quando coloca a mascara do herói
noturno e fechando o pacote como o Bruce Wayne que faz papel de playboy
displicente. Gary Oldman também volta na pele de James Gordon, mostrando por que
o personagem é tão importante em sua amizade com o cavaleiro das trevas. Os
novos membros na galeria de atores são Maggie Gyllenhaal no papel de Rachel,
alcançando a redenção da personagem, Aaron Eckheart como Havey Dent, a outra
face da moeda na luta contra o crime nessa urbe atormentada, e o falecido Heath
Leadger como o Coringa.
O Coringa nesse filme é terrivelmente real. Atormenta a platéia e suga as
esperanças de todos até o limiar da sanidade. Leadger mostra como era talentoso
na construção de um personagem, tanto que nem lembramos mais de nenhuma
encarnação anterior do palhaço do crime, cremos que esse é o definitivo.
A cidade está totalmente realista, deixando a metrópole do filme anterior
parecendo saída da antiga série de Tim Burton. Batman não se destaca desse
cenário como sendo um objeto falso, pelo contrário, parece mais real e
totalmente a vontade em sua missão auto imposta de guerrear contra o crime.
A produção do filme foi toda voltada a atingir esse ideal de realidade, mesmo
contando com seres tão fantásticos. Na verdade, o longa trata de os deixar menos
fantásticos, humanizando as criaturas para que se encaixem na premissa de que é
um mundo real. Até mesmo o uso de efeitos digitais é pequeno, da mesma forma que
as cenas de efeitos especiais foram gravadas usando técnicas mais antigas em
Batman Begins, o que só aumenta o convencimento do publico em relação ao que se
vê na tela.
O defeito nessa fita é que ficamos com a impressão de que nunca será produzido
outro longa tão perfeito com o personagem, também nem precisa, não há por que
sentir vontade de outro filme, já compreendemos que Batman é o cavaleiro que
segue solitário em sua missão. Entendemos com um sorriso no rosto.