| O Balconista 2 (Clerks 2) - direção: Kevin Smith - EUA/2006 - review por evilgambit |
Kevin Smith ficou famoso anos
atráz com o primeiro O Balconista (Clerks), um filme realizado com pouco mais de
20 mil dólares e que lhe rendeu mais de 3 milhões em bilheteria, ganhou status
de cult e diretor de filme "nerd". Smith conduziu muito bem seus fãs com filmes
seguindo o mesmo estilo bem humorado, com severos toques à homofobia, envolvendo
questões religiosas, racismo e escatologia ( sempre, sem cair demais neste
último quesito ). Como exemplo posso citar verdadeiras pérolas: "Procura-se Amy"
e "Dogma". Recentemente, Smith pareceu disposto a ampliar seu leque de
admiradores, ou no mínimo vender suas produções à públicos "maiores". O
resultado foram filmes no mínimo inconsistentes como "Meninas dos Olhos".
O Balconista 2 (Clerks 2) marca o retorno do diretor ao público que o consagrou.
Quem adora o primeiro filme, vai se deliciar com o retorno dos personagens.
Certo dia Dante Ricks ao abrir o Quick Stop, a loja de conveniência onde trampa
a dez anos, estupefado constata que seu melhor amigo Randal deixou a cafeteira
ligada. A loja está em chamas.
Na faixa dos 30 anos de
idade, ambos se vem rebaixado ainda mais na famigerada casta
sócio-profissional capitalista tendo que trabalhar como atendentes numa loja
de Fast Food. Jay e Silent Bob também se mudaram para a frente do
estabelecimento, e acreditem, agora com Jesus no coração, não fazem mais uso
da poderosa maconha que ali traficam ( basta dizer que isso pouco altera
esses personagens.. ).
A novidade é que agora Randal está noivo de uma tal de Emma ( esposa de
Smith na vida real ), ela é bonita, rica e quer se mudar com ele para
Flórida, onde um emprego socialmente respeitável o espera. A questão é:
Randal realmente deseja mudar?
Uma vez Smith, sempre Smith. Os diálogos inconseqüentes, divertidos,
deliciosamente inteligentes persistem. Entre pérolas como a antológica
discussão entre fãs de Senhor dos Anéis e Star Wars, e o advento dos TROLLS
na proteção à virgindade de crentinhas, o que mais me deliciou ao ver esse
filme foram os toques sutis com relação à "crescer" na vida e o que
realmente importa para um sujeito na faixa dos 30, o que você realmente quer
da vida ou o que as pessoas esperam de você.
Ao fim fica claro um comparativo entre o futuro profissional de Smith e o desfecho de Randal e Dante no filme. O que é melhor? Ser você mesmo ou crescer para que o mundo te reconheça? Uma difícil decisão para um diretor de cinema atrelado à industria, com certeza. Porém fica a sensação que Smith, em tese, já fez sua escolha! O que muito me agrada, como fã incondicional do cara.