| A Vila - direção: Night Shyamalan - EUA 2003 - crítica por evilgambit |
Desde pivete uma coisa me bota um medo danado, quando tinha uns 6 anos de idade, eu vi no maldito fantástico uma matéria sobre abduções com extraterrestres, aqueles homenzinhos lagartixa com olhos negros enormes e sem emoção, raptando moças incautas pela noite afora. Isso é bizarro, e me dava muito medo, me dá medo. Quando vi Sinais de M. Night Shyamalan, posso dizer seguramente, eu quase me caguei de medo na sala de cinema, literalmente, não via a hora daquela merda toda acabar, e para piorar, no final achei interessante.
Esse diretor indiano sabe fazer histórias onde os protagonistas são pessoas, humanos mesmo, normais, porém vivendo dramas e pesadelos insólitos, porém contidos em nosso imaginário e subconsciente, sua grande criatividade no roteiro e o uso quase que perfeito do boom dos efeitos sonoros em trechos devidos somando-se a parceria com atores de renome ou qualidade de interpretação o fez afamado no circulo de profissionais do cineminha norte americano.
Sexto Sentido tratava de fantasmas, Sinais de extraterrestres e Corpo Fechado de super heróis, em A Vila, filme que chegou esse final de semanas no circuito nacional trata do medo coletivo, de controle e de amor e suas várias facetas. O filme retrata uma cidadela norte americana nos idos do século 19, vivendo totalmente isolada do resto do mundo, separado por um bosque, onde vivem monstros ou "Aqueles-de-quem-não-falamos".
O conselho de lideres da aldeia, os mais velhos, contam que a muito tempo um pacto havia sido proposto entre os humanos e os bichos do mato. Ninguém ultrapassa a fronteira do território deles, nunca usa cores vivas, que os atraem e periodicamente entregam carne frescas em rituais na borda do bosque. As coisas começam a dar errado quando os animais domésticos começam a aparecer mutilados e sem a pele, estranhas marcas nas portas apontam um sinal, a trégua entre eles estaria terminando. O porque disso? Como são esses bichos? É de comer? Isso é o mais importante?
Sim, claro! Como em quase todo filme do indiano, há a surpresa no final. Ela não chega a ser tão surpreendente como foi em Corpo Fechado ou Sexto Sentido e talvez por isso será uma grande decepção para muitos, Shyamalan virou clichê e quem vê seus filmes, quer sair da sala de cinema revoltado e perplexo como ficou no final do Sexto Sentido. Em A Vila isso não acontece, o final de certa forma é até broxante, mas é aquela broxada após uma trepada bem dada, porém casual. Isso é ruim?
O filme tenta se cercar de vários atores de renome, mas quem realmente merece destaque é a cega Ivy Walker (Bryce Dallas Howard) e o contido Lucius (Joaquin Phoenix)! Ivy chega a comover com um personagem vivido num ambiente cheio de restrições e tabus e Lucius é o retrato da nova geração que se subtrai da atual realidade e procura a sua, busca soluções e questiona as regras, mas de forma contida, respeitosa e racional. O amor, quem diria, pode florescer até em lugares como esse, a necessidade de continuar a vida impera até num lugar onde vive-se com medo e isolado.
No final das contas o grande mérito do filme é a prova de amor que Ivy se propõe a cumprir por Lucius e a pequena e evidente metáfora ao final do filme, como o medo pode afetar a coletividade. Fora isso, posso dizer com certeza que há cenas sustos, aquelas que fazem sua namorada dar aquelas chacoalhadas do seu lado, e que evidentemente proporcionam abraços e afagos, afinal você é um macho protetor e como não rola et´s nesse, continua macho pra caralho!