The Fast and the Furious: Tokyo Drift - direção: Justin Lin  -- EUA/2006 - review por evilgambit

 

O primeiro The Fast and the Furious, ou Velozes e Furiosos bem chamado aqui nas terras tupiniquins é um filme bacana, trouxe toda essa moda de tuning para cá e também tratou de fazer uma das mais fuderosas cenas de ação com carros que pudemos ver desde então. Um filme sem grandes pretensões e também sem frescuras, tinha tudo que queríamos ver: carros maravilhosos ( mesmo achando os neons bregas por bosta, mas vá lá ), mulheres gostosas e testosterona pura misturada à gasolina azul. Comentando o elenco, a única coisa que se salvava ali era o mano Diesel, um careca com carisma para ser o anti herói da nova geração. Uma pena que ele só ande escolhendo porcarias para atuar ultimamente.

Obviamente não tardou para fazerem a seqüência e veio a merda toda. Diesel pulou fora e junto com ele seu colega diretor Cohen. Do primeiro restou o pífio protagonista e uma história panaca sobre redenção, seqüências com carros inteiramente copiadas de um replay de Need for Speed. Uma bosta completa.

O que esperar do terceiro filme?

Mudou novamente o diretor, e o protagonista! O antigo parece que finalmente encontrou um filme à altura como podemos notar.

O grande lance de The Fast and the Furious: Tokyo Drift é a mudança, e para melhor diga-se de passagem. O filme começa com uma bela cena mostrando o cotidiano civilizado de uma escola dos rosados. Tudo muito interessante e porque não dizer estranho, afinal não parece Velozes e Furiosos. O cara logo arruma confusão com um loirinha e seu namorado descerebrado e tudo deve ser resolvido com um racha. Um deleite para fãs do muscle power americano, já vou avisando.

Os ricos são soltos o pobre protagonista fichado na polícia. Os EUA não querem delinqüentes que coloquem a vida dos filhos dos ricos em risco, então ele é mandado para morar com o pai, que é milico e trampa em uma base americana no Japão. As coisas começam a ficar interessantes e ressalto novamente a grande sacada que foi mudar completamente a "casa" do filme. No Japão sobra espaço para os ocidentais mostrarem quão diferente é do lado de lá do planeta, algo mais ou menos como em Encontros e Desencontros, mas mais ao gosto da molecada de 15 anos. O cara por exemplo precisa aprender que é preciso tirar os sapatos para entrar na sala de aula, que todos devem ir à escola mas a escola de lá não se preocupa se você não sabe PATAVINAS de japonês, o aperto dos alojamentos pobres da periferia metropolitana de Tókio, e obviamente o amor dos japoneses pelas corridas D;

D de Drift.

Driftar nada mais é que correr em curvas, difícil de explicar mas delicioso de assistir e fazer. Logo ele descobre que de nada adianta saber acelerar se você não sabe driftar, algo absolutamente necessários seja nas ruas apertadas das metrópoles nipônicas ou nas estradas que descem as sinuosas montanhas daquele país. É assim que eles correm lá e é isso que ele deve aprender.

Logo no primeiro dia de aula ele entra em contato com esse espécie de sub mundo juvenil nas noites de Tókio, já encara o grande rival japonês, conhece a mocinha deliciosa que será seu par mais pra frente, e toda a galera que ficará o resto do filme em segundo plano. Se o filme até acerta em mostrar certas excentricidades japonesas aos olhos dos ocidentais, ele peca em todo o resto. Felizmente não tem mais aquele lenga lenga do segundo filme, mas também não dá para dizer que existe uma história bem aproveitada neste, o tal mentor japonês que ensina o americano a driftar entra e sai do filme e fica aquela sensação de "hein? Quem era aquele cara?", para quem assistiu a versão cinematográfica de Initial D, impossível não notar as similaridades e resta dizer que o filme chinês aproveita MUITO melhor certos detalhes existentes parcialmente em ambos os filmes, como a prostituição e alcoolismo, mas o filme americano tem um detalhe interessantíssimo: Sonny Chiba no filme como um Yakuza ( para os americanos, existe um em cada esquina sem camiseta e mostrando as tatuagens.. ), Chiba chuta bundas até em produções americanas.

As cenas de drift de The Fast and the Furious: Tokyo Drift são primorosas, com certeza a melhor parte do filme, mas ainda assim considero as cenas automobilísticas de Initial D bem mais viscerais e emocionantes, mas são filmes diferentes, apesar de tratar de carros e drifts, o melhor que você faz é assistir os dois. Quem realmente é fã de Drift, vai chiar com o protecionismo americano no duelo final, eu te pergunto de que adianta um mustang americano se alma dele é japonesa?

A trilha sonora felizmente não é completamente absorvida com o atual rip hop americano, sobra espaço para guitarras pulsantes em algumas cenas de ação sob alta velocidade. No final das contas é um filme novo, uma franquia renovada, com personagens mais carismáticos e que viram algumas aulas a mais de interpretação, sem viadagens e mais focados no que realmente interessa: carros e ainda a grata surpresa dos momentos finais.

Vamos ver se ainda tem gás para um bom The Fast and the Furious 4!

 

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