| Resident Evil: Degeneration - Direção: Makoto Kamiya - Japão/2008 - Crítica por Maiquel HVR |
Lembro que
quando eu era pequeno, em uma tarde como essa, eu estava assistindo Chaves no
SBT quando então começou o manjado “Cinema em Casa”. Decidi esperar para ver que
filme seria exibido. Uma tempestade, raios no céu, dois homens lutavam no meio
do nada: OMG, é o Ryu e o Sagat!!! Em um confronto apertado, Ryu desfere um
shoryuken que rasga o peito do tailandês, fechando, em seguida, com um hadouken.
Eu estava surpreso, aquele filme em anime era muito superior àquele outro com
Van Damme no papel de Guile. A diferença: este era da própria Capcom.
Como diria a Square Enix, o tempo flui como um rio e a história se repete. Hoje,
muitos anos depois, a principal franquia da Capcom passou a ser Resident Evil,
que já ganhou três adaptações para o cinema. O primeiro, O Hospede Maldito, é um
filme de terror genérico com zumbis, levemente ambientado no universo dos games,
porém com pouca fidelidade a eles. Já o segundo, Apocalipse, é um filme de ação
com direito a uma Jill Valentine e um Nemesis idênticos aos virtuais e várias
cenas sugadas direito de Code: Veronica. Ficou bem melhor, vale a pena uma
assistida, embora continue desenvolvendo um enredo paralelo ao dos games. Já o
terceiro, Extinção, cara… eu não agüentei ver até o final.
Quando a Capcom anunciou que faria Degeneration, um filme em CG que seguiria a
história oficial, fiquei animado. Eu estava certo de que este reproduziria uma
verdadeira experiência clássica de survival horror: aquela em que você está
sozinho, com recursos de defesa limitados, e precisa sobreviver a um inimigo
praticamente infinito que se esconde em cada rua, cada beco, atrás de cada porta
ou janela. E foi isso mesmo? Bom… mais ou menos.
A animação é muito boa e o início de Degeneration é tudo aquilo que eu esperava.
A Claire e o Leon também são exatamente como nós os conhecemos, sendo que este
último recebeu alguns traços orientais e se comporta como um típico herói
japonês no que diz respeito à sua postura corporal e atitudes. Porém, depois de
30 minutos de pura adrenalina Resident Evil, o filme entra em uma calmaria para
apresentar o enredo de uma personagem inédita, e a ação só volta de novo nos 30
minutos finais. Assim, o roteiro se mostrou sem muita inspiração e desconexo,
com momentos de sonolência entre os dois pólos de movimentação intensa,
diferente dos games, onde a história de desenvolve paralelamente ao combate.
Por falar em combate, a Claire ficou deslocada e passiva demais. Ela está sempre
na linha de trás, enquanto o Leon puxa a frente nos confrontos. Porém, quando é
chamada, ela mostra que ainda mantém as habilidades que apresentou em Code:
Veronica.
Enfim, não me entenda mal, Degeneration é MUITO superior aos filmes live-action
e você deveria se envergonhar de não assistir caso se considere um fã de
Resident Evil. Trata-se de um episódio legítimo, só não sei se ele se passa
antes ou depois de RE 4 (acredito que seja depois), mas o Leon já trabalha para
a Casa Branca. Mesmo sendo muito bom, fiquei um pouco desapontado devido às
minhas altas expectativas, o que não é desculpa para você não assistir,
Degeneration é obrigatório.