300  - direção: Zack Snyder  - EUA/2007  - crítica por evilgambit

300 narra o histórico evento de 420 a.C.  onde rei de Esparta, Leônidas junto com uma tropa de 300 soldados (e alguns milhares de arcadianos) conseguiram deter o (então) invencível exército do Rei Xerxer, soberano do Império Persa utilizando avançadas táticas de combate e se aproveitando do terreno para tal feito. O filme porém se baseia na adaptação da história de Frank Miller em sua graphic novel de mesmo nome.

A adaptação cinematográfica é estupenda, verdadeira transcrição do HQ, foi realizado de forma semelhante à Sin City, também do mesmo quadrinista. O diretor Zack Snyder com sua experiência na direção de videoclips e o know how para produzir coisas boas com pouca verba (o remake de Dawn of the Dead) foi uma escolha acertada, o resultado final é incrível, o cara conseguiu fazer um filme épico, com tudo aquilo que faz um filme épico, mas com uma nova roupagem, praticamente redesenhando o gênero para que quem sabe ele possa retornar ao dias de hoje.

Eu sei que os puristas vão reclamar do visual videogame, de alguma semelhança com Gladiador, dos grotescos erros históricos, tudo não passa de detalhe, 300 é um filme pra macho que exala testosterona em cada cena, rei Leônidas (Gerard Butler, excelente) é o Paulo Paulada em escala mundial, o cara rosna e desce o aço nos inimigos com energia cativante, um autêntico espartano.

Todo o elenco é competente, a rainha Gogo mostra de forma contundente como é uma verdadeira mulher de Esparta, os personagem que atuam ao lado de Leônidas aliam alívio cômico à momentos sagazes de fúria em combate, não dá para esperar mais que isso de soldados treinados para matar, seja qual for o período histórico.

As cenas de pelejas são maravilhosas, o maior mérito do diretor estão nelas, as cenas são quase um game de luta 2D, abusando de zoom, aceleração e desaceleração e coreografia digna de um balé da morte, isso sim é uso inteligente para essas novas câmeras digitais e alta resolução. A violência é aterradora, não existe temor em mostrar cabeças sendo decapitadas, membros sendo separados do corpo e pilhas e pilhas de mortos se formando sobre o desfiladeiro de Termópilas, existem sim o alívio do sangue, que apesar de rolar em quantidades generosas, parece vindo de um game da série Mortal Kombat, ela voa quando tem que voar e desaparece em seguida, além de chocar menos que um genuíno xarope vermelho, fica mais estiloso.

300 é um filme épico completamente remodelado ao gosto da nova geração, é impactante, consegue passar uma ótima mensagem bélica exaltando todos aqueles valores que nos fazem mais machos, mas não é perfeito e provavelmente nem quis ser, já que o diretor preferiu repetir o impacto de Sin City e fazer uma cópia fiel do storyboard, perdão HQ de Frank Miller, se o final inexplicavelmente fica meio sentimental no final (isso é imperdoável, afinal THIS IS SPARTA) e se os persas são retratados como monstros grotescos e Santoro parece um travesti maluco sentado sobre um carro de escola de samba, é culpa de Miller e não do filme.

É o preço que se paga por ser fiel.

"Quem aqui esta tendo que usar soutien?"  -- "AROOWWWWWW"

 

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