Video Games Live Brasil 2007  - Crítica do show por evilgambit

No último dia 16 de setembro lá estava eu no Via Funchal (São Paulo) para conferir mais uma Video Games Live, na edição 2007.

A VGL é um show orquestrado com musicas de videogames, idealizado por Tommy Tallarico (apresentador do show) e o maestro Jack Wall, no show brasileiro regendo a orquestra da Petrobrás. Este é o segundo show no Brasil, o primeiro que rolou no ano passado foi devidamente comentado por mim, clique e confira.

A VGL é um evento interessante por tratar de musica clássica de qualidade somando videogames. É muito gratificante constatar que a industria evoluiu a tal ponto, mesmo neste país, e nós jogadores e entusiastas do gênero termos a possibilidade de conferir um show deste gabarito.

E neste ano tivemos boas novidades, embora fique um gostinho um tanto incomodo de deja vu.

O show começa muito bem, com uma bela interatividade do telão com a platéia, mais videogame impossível. Brincadeiras com dizeres clássicos em fóruns de games e eis que Tallarico aparece para a já eufórica platéia. O show começa com o mesmo vídeo do ano passado; uma montagem musical que acompanha o clip no telão, uma evolução do pong aos jogos clássicos dos anos 80 e 90.

O formato do show é semelhante ao do ano passado, temas clássicos como Zelda, Mario e Sonic, Tema de abertura de Final Fantasy VIII (novamente, todas as musicas da Square Enix não contaram com vídeo), Kingdom Hearts (este teve um belo clip apenas com trechos de filmes da Disney), World of Warcraft e Civilization IV voltaram na edição 2007.

A participação especial de Martin Leong teve boas novidades. Ele tocou novamente em seu piano os temas de Tetris e Super Mario e uma versão extendida do já clássico Final Fantasy Medley, a grandiosa surpresa foi sua versão de Chrono Cross, fãs do game espalhados pela platéia quase que derreteram de emoção, eu inclusive. E por fim, na sua última aparição no palco, ele dividiu as atenções com um tal de Lucas, brasileiro que no ano passado enviou e-mail ao evento se dizendo grande fã de Leong e que sabia tocar temas do Super Mario em seu violão. O cara teve o grande privilégio de subir ao palco, cumprimentar a todos e tocar para a platéia. Mesmo que sua apresentação não tenha ficado perfeita, o que é compreensível afinal o bicho deve ser um baita cabaço no ramo (ainda), fica o ponto positivo para Tallarico por ter dado oportunidade ao cara e pela surpresa que foi a todos que estavam assistindo.

Dentre as novidades deste ano tivemos:

Tron, o famoso filme oitentista da Disney inteiramente feito em msx apareceu com um belo clip e uma bela adaptação para a orquestra. Eu mal me lembro do filme, mas pela comoção da platéia muitos fãs da antiga película ficaram muitos gratos pela sua inclusão no repertório.

Starcraft II teve um belo clip com cenas fodásticas in-games (caras, agora sim me deu vontade de investir num upgrade no PC), com uma trilha sonora muito boa também.

Myst ganhou uma chance no show, os fãs do aponte e clique clássico do PC devem ter adorado.

E por fim, o que eu mais esperava, Medal of Honor. “MoH” pode ser para muitos hoje mais um fps saturado dentre tantos no gênero, ele foi concebido nos anos 90 para o Psone, pegando carona no sucesso cinematográfico de Resgate do Soldado Ryan, tendo inclusive participação de Spielberg na produção dos primeiros games da série, o primeiro a unir o elemento FPS com o tema WWII. A musica tema é excelente, casou muito bem em um show ao vivo orquestrado e o vídeo exibido no telão foi excepcionalmente bem produzido, ao invés de mostrar cenas da carnificina digital dos games seja nos consoles ou nos PC´s, era um apanhado de imagens reais do infortúnio e penoso período que foi a Grande Segunda Guerra para as pessoas que o viveram, tocante e comovente um dos momentos mais gratificantes e gloriosos do show!

No finzinho do show, Tallarico apareceu com a camisa da seleção brasileira e anunciou a “última musica” com um belo vídeo para Master Chief com a trilha sonora de Halo sendo tocada pela orquestra. Não foi surpresa, as luzes não ascenderam e Tallarico até que tentou criar um clima, mas todo mundo já sabia: One Winged Angel de Final Fantasy VII novamente fecha a VGL deste ano. E com um sonoro upgrade, a versão deste ano teve Tallarico com uma guitarra junto à performance orquestrada, no final das contas ouvimos a versão hardrock do filme Final Fantasy VII Advent Children.

O show foi gratificante, novamente, é difícil contabilizar pontos negativos mas eles aparecem: A platéia é deliciosamente participativa e animada, mas as palmas no melhor estilo show de calouros abafavam completamente a musica, irritante para quem quer MESMO ouvi-las. Apesar de ter adorado a inclusão de Chrono Cross e Medal of Honor e mesmo sabendo que algumas musicas clássicas não poderia ficar de fora, senti falta de novidades, quem sabe no ano que vem não rola temas de Star Fox, Metroid e quem sabe Chrono Trigger (Dragon Quest é um desejo inerente.. claro). E quem não sabe inglês, perdeu novamente pois Tallarico interagiu todo o show falando em inglês, sem tradutor nem nada (não dava para colocar legendas em tempo real no telão?)

Os pontos positivos são claros, o show é muito bem elaborado, os clips apesar de serem bem parecidos com o do ano passado (muitos são os mesmos, contanto apenas com a inserção de imagens de novos jogos que saíram neste ano) são empolgantes e casam bem com as musicas, a orquestra da Petrobrás é maravilhosa, houve muita interação com a platéia com direito a jogos disputados por sortudos escolhidos para ir ao palco, um maestro Jack mais animado que no ano passado, um Tallarico ainda mais divertido e falastrão. Com certeza valeu a pena como fã que sou de musica e de videogames. Ficou sim um gostinho de “queria mais novidades” no final, mas isso é coisa de quem já tinha presenciado o show de 2006, tenho certeza que viu pela primeira vez neste ano tenha ficado tão empolgado, glorificado e extasiado como fiquei a um ano atrás.


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