Nostalgia - texto por evilgambit

Quando você passa dos 25 anos você começa a reconhecer ou validar antigos amores, coisas pequenas como um filme, uma história em quadrinhos ou programas de TV. Esse sentimento reflete sempre uma memória, um amor sincero que tinhámos por algo ou alguém e para que esse momento não desapareça, bem como a própria memória de nossas infâncias, passamos a exaltar essas coisas, assim fazemos a festa da industria do entretenimento e do consumismo em geral.

Tem um camarado meu, micreiro de primeira, quando éramos moleques se eu precisasse de dicas sobre como carregar games no MSX ( e até piratear uns.. ), ou instalar um maldito modem via DOS, era com ele mesmo. Dez anos se passaram e hoje ele é dono de uma loja de computadores e periféricos, por esses dias de madrugada estava adiantando umas planilhas e ele aparece no msn, com o capslock ligado e aparentemente sob efeito de psicotrópicos: “CARA ACABEI DE VER DOOM “

O Flávio é um doente por FPS, lembro até hoje quando ele apareceu com os discos do Doom II e todos exaltamos a superioridade gráfica, os tiros, a big fucking gun... ! O filme provavelmente é uma bosta para qualquer bom cinéfilo, mas quem se importa? Doom é um filme feito para os fãs, para alegrar uma boa noite de sábado regrada com pizza, cerveja, um filme no meio e um motel de madrugada com a patroa. Tome tiro, sangue, ação e cenas em primeira pessoa. Enredo é coisa de viadinho nesse caso, como bem disse meu camarada!

E tenho uma amiga bem mais velha, hoje é casada, tem filhos e tal. Fez cinema e atualmente trabalha numa agência de publicidade de Piracicaba. Fiquei anos sem vê-la, era fã das festas pagãs proporcinadas na década de 90 na lendária moradia da Unicamp lá de Barão Geraldo. Por intermédio do maldito orkut encontrei ela, numa comunidade de cinema. Pelo MSN uma revelação bombástica: Ela viu Star Wars na estréia de 77 e me disse que chorou, riu, ficou chocada com a galáxia muito, muito distante. Disse que aos 12 anos tinha decidido, iria fazer cinema e fez, na sua segunda faculdade. Trocamos experiências sobre a pré-estréia de episódio III este ano, e sem pudores ela me revelou: “ quando os créditos fecharam no entardecer de Tatooine, eu chorei como aquela menina de 12 anos... “

E eu? Bom. O meu fator nostálgico para esse texto em muito vem de como a grande maioria das pessoas ( só do meio virtual ) me conhece. Eu sou um grande fã de games de Nes e em particular da série Dragon Quest. Em quase 15 anos de investimento em consoles, jogos e fichas de fliperama, adquiri prazer e estima por várias séries famosas desta industria. Mas poucos games me divertiram tanto como a franquia da hoje Square Enix. Lembro muito bem, aos 11 anos quando começei a jogar o primeiro da série em inglês ( cartucho original doado por um dono de locadora amigo do meu pai ) , não entendi bulhufas e o arremessei dentro do armário. Como estava indo para a quinta série e nesse período teria meu primeiro contato com o inglês através das aulas da rede pública de ensino, resolvi investir boas horas de estudo naquele game e tirava muitas dúvidas com a professora Elena ( uma senhora muito gostosa na época, devo dizer ).

3 meses passaram e eu tinha terminado o game. Para quem tinha jogado Ninja Gaiden ( e sacado que ali havia um suposto enredo, tendo por base a bela apresentação ), Dragon Quest foi um choque ( jogos de videogame tem história?! ), uma sensação de admiração pela integridade moral do personagem quando ele finalmente resolve falar ( veja final de Dragon Quest I ) , a jogabilidade complexa para a época e a diversão proporcionada pela historinha básica me fizeram ir atráz dos outros games da série. O terceiro game é até hoje meu melhor rpg dos videogames. Como eu tinha os cartuchos originais, tive acesso ao prologo escrito para eles, aos desenhos de Akira Toriyama, e por mais que minha estima pela série fosse grande, sempre me desapontava ( admito ) em ver aqueles seres cabeçudos, que mesmo parados não paravam de mexer os pés, olhava para as ilustrações no manual e na arte de capa dos cartuchos e dizia para mim mesmo.


“ O importante é o enredo.. “

Pois é. Sempre foi mesmo, assim como a jogabilidade simples e a dificuldade que só alimentava meu vício. A série permaceu viva apenas no Japão por muito tempo, reconhecido reduto de fãs consumistas tratados neste texto, e agora aporta o Playstation 2. Mantendo o mesmo espiríto da série, a qualidade sonora, a jogabilidade rápida, simples e divertidas. Mas os gráficos...

Bom, digamos que ontem a noite, quando finalmente peguei o game para jogar mesmo. Me veio a lembrança dos desenhos nos manuais e a comparação com os sprites no nes e snes. Não existe mais comparação, porque no PS2 o nível de detalhamento é o mesmo dos desenhos do sr Akira. É muito gratificante acompanhar a série e se sentir vingado com esse game. Com certeza vou atrasar meus estudos, foder com meu tempo de sono e vai qualitativamente atrapalhar meu rendimento no trabalho.



Mas quem se importa? É Dragon Quest VIII.

 

obs: texto inspirado escrito em comemoração ao lançamento de Dragon Quest VIII para o PS2 americano. O review do game em breve aqui na sua página de rpg´s e +.

 

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