Video Games Live - Show de São Paulo 19/11/2006  - crítica por evilgambit

A muito tempo atrás, quando aluguei Ninja Gaiden II para jogar no meu Nes um fator decisivo para eu ter gostado tanto do game a ponto de apontá-lo como O presente de natal daquele ano sem dúvida alguma foi a trilha sonora. Naquela época musica de videogame era uma coisa bem arcaica, mas os designers e compositores se desdobravam para dar '"vida" a suas musicas. Ninja Gaiden II é um exemplo que me vem a mente agora, mas poderia citar também a musica do pause dos Battletoads, temas de Final Fantasy, Dragon Quest, Gradius II, etc. Não havia Internet, não havia mp3 e pior, apesar de ter dúzias de amigos que também gostavam de uma boa partida na frente da TV, nenhum compartilhava desse meu gosto por "musiquinha de videogames". O tempo passou, as fitas cassetes com audio-in ligados nos consoles deram lugar aos mids, depois aos mp3 e por fim aos cd oficiais com trilhas sonoras. Mas ainda hoje, mantendo uma sólida comunidade de aficionados através deste site, não conheço muita gente que compartilhe do meu gosto musical, que eu considerava singular...

Considerava até ficar sabendo que a Video Games Live viria ao Brasil.

A VGL é obra de duas figuras, o maestro Jack Wall ( aquele que tropeçou, para quem estava lá ), compositor de trilhas para a série Splinter Cell e o baixinho Tommy Tallarico, excelente compositor de games tendo em seu currículo Earthworm Jim e MDK. ( são pouco conhecidos, mas excelentes games, com excelentes trilhas sonoras ). A idéia dos dois eram reunir uma orquestra, conseguir a licença de alguns temas famosos e fazer show para o pessoal, em síntese para mostrar que videogame celebra uma nova geração de entretenimento, e não apenas para uma faixa restrita como crianças ou nerds. Tanto faz, o ponto é que eles conseguiram. O show apresentado no Brasil é uma verdadeira celebração à cultura gamística e o inicio de uma turnê mundial que pela primeira vez deixa a porção norte deste continente.

Lá estava eu na fila, às 16 hrs na frente do ótimo Via Funchal em São Paulo. Junto com um pessoalzinho do staff da EGL rolou papo idiota suficiente para aguardar até as 17:45, quando os portões se abriram. Lá dentro havia para experimentar com exclusividade o Wii da Nintendo e alguns jogos, uma fila absurdamente grande com uma legião de pessoas gritando "NINTEEEEENNNNDO SIXXXXTY FOUUR" me impediu de experimentá-lo, só deu para ver as pessoas jogarem e constatar que eles estavam se divertindo  e que os gráficos dos games eram sofríveis, até para esta geração de consoles.

Sem querer perder nada do show, fomos para nossa mesa numerada, tivemos que suportar um concurso de cosplayers. Ao menos uma Yuna ganhou, e ela era gostosinha. Ao fim desta bobagem, o deleite começou:

 

Ato I

A primeira musica era um apanhado de games clássicos, de certa forma para celebrar a evolução da musicalidade e sons no videogames, começa com pong rodando num enorme telão e a orquestra fazendo os "pongs", em seguida Space Invaders, Defender, Frogger, Donkey Kong, Ghosts 'n Goblins e mais alguns games clássicos. Foi uma ótima forma de situar a platéia para o que viria a seguir...

Hideo Kojima apareceu com sua indefectível cara de soro positivo no telão para apresentar a musica tema da série Metal Gear Solid, excelente execução da orquestra, magistral edição do vídeo no telão e uma inusitada participação de atores no palco, um soldado com um "!" na cabeça procurando pelo nosso herói, devidamente escondido em sua famosa caixa de papelão. A terceira musica homenageou a série Castlevania, boa execução de musicas clássicas da série, mas não dando ênfase em nenhuma, o clipe deu ênfase demais aos games do GBA e quase se esqueceu dos clássicos do Nes.

Novamente no telão, mais uma mensagem aos fãs desta vez do compositor da trilha de God of War, musica poderosa, que casou muito bem com a orquestra ao vivo, o coral também mandou muito bem. Após Kratos se espatifar nos rochedos, Tommy Tallarico chamou um nerd gordo e desengonçado para jogar Space Invaders no telão, a diferença mesmo era que ele era a nave canhão e tinha que ficar correndo pelo palco para atacar e destruir.

Após a seção Wii no palco, rolou apresentação de Civilization IV com um soberbo clip que me deixou com vontade de jogar ( claro que depois passou ), uma musiqueta chata para Tomb Raider ( quando vão perceber que gostamos é das tetas desta mulher e não do jogo em si? ). Para retomar o fôlego, ninguém menos que KOJI KONDO apareceu no telão para apresentar uma de suas mais famosas composições para a clássica série The Legend of Zelda, um nostálgico clipe e uma bela execução de musicas famosas da série emocionaram os fãs presentes.

E para fechar o primeiro ato, uma magistral execução de Liberi Fatali de Final Fantasy VIII. Sem vídeo no telão, infelizmente ( ou felizmente... afinal quem gostaria de ver o Squall?! )

 

Ato II

Foi MUITO bom ter lido pouco sobre a VGL, pois assim o ato II foi recheado de surpresas. Novamente o italiano baixinho ( não o Mario, mas sim o Tallarico ) chamou uma garota e um cara vestido com algo que ELE dizia ser de Final Fantasy VII ao palco para disputar Frogger no telão, a moça acabou perdendo um laptop de última geração da Intel.

Após rolou uma versão orquestrada e sem vocal para a musica tema de Kingdom Hearts ( nada de imagens do game no telão, apenas trechos de filmes da disney ). Em seguida Yuji Naka apareceu para nos saudar com a maravilhosa trilha de Sonic, tinha muito fã do azul na platéia graças aos esforços da tec toy todos esses anos, a galera foi ao delírio! Em seguida veio World of Warcraft, destaque para o clipe no telão com boa edição usando excelentes vídeos em computação gráfica da Blizzard.

E foi depois disso que tio evil quase enfartou. O baixinho chamou Martin Leung para tocar um pouco de piano para a galera. Você pode não saber o nome do cara mas certamente conhece o vídeo dele no tube. Martin cativou a platéia começando pelo tema dos cristais de Final Fantasy, engatou em seguida "To Zanarkand" de Final Fantasy X, passou para o tema de Aeris de Final Fantasy VII e foi dedilhando e relembrando aos presentes os mais famosos temas desta série tão adorada. A platéia delirava assim que reconhecia cada musica homenageada e por fim, pela primeira vez no show, Leung foi aplaudido de pé.

Extasiado mal notei Tallarico voltando ao palco para apresentar o tema de Advent Rising, um game que nunca ouvi falar, mas com boa musica clássica e um videoclipe apresentado no telão bem cinematográfico ( porque não dizer, CHATO ). Em seguida Kondo reapareceu no telão para introduzir sua mais famosa composição, a de Super Mario Bros, momento nostálgico para todos presentes.

Eis que Martin Leoung novamente corre para frente do palco, o reverencia e toca no piano ( que já devia estar derretendo ) mais algumas musicas da série Super Mario, com direito a super velocidade, só para humilhar quem nunca conseguiu decorar mais que 4 notas. Fechou sua participação no show tocando o tema de Tetris e novamente tivemos que aplaudi-lo de pé. Na boa, esse cara é foda! Porque não fazem um show SÓ com ele?

Tallarico apresentou em seguida um musical para Halo 1 e 2 e após rodou no telão o trailer de Halo 3 ( o último da E3 2006 ) e a orquestra fez a musica do mesmo. Detalhe para o vocal brasileiro ao final do trailer dizendo "é assim que o mundo acaba...".

Ninguém notava que o baixinho sumia do palco, quando ele retornou com uma camiseta da seleção brasileira, todo mundo já sabia o que viria: One Winged Angel de Final Fantasy VII. Execução perfeita da musica, o coral gritando Sephiroth era algo mágico e ao mesmo tempo engraçado aos meus ouvidos, e como em Liberi Fatali, não rolou clipe.

 

No final das contas VGL consegue provar duas coisas ao lotar o Via Funchal em São Paulo. Videogame é sim a celebração do entretenimento para uma nova geração, e que musica de videogame é suficientemente boa para ser tocada numa orquestra, é magnífico perceber como as musicas de Nobuo Uematsu para Final Fantasy ficaram tão grandiosas ao vivo, de arrepiar todos os pelos do saco escrotal.  No final só consigo contabilizar pontos positivos para este show, a platéia animada e participativa,  Tallarico foi um divertido mestre de cerimônias ( para quem sabia inglês, apenas ), a seleção de musicas conseguiu agradar a todos os presentes, houve um casamento perfeito da musica com os videoclipes e isso era essencial, afinal estamos falando de videogames, a casa de espetáculos era de altíssimo nível com bom aparato de som e luzes e no finalzinho eu ouvi a promessa dos caras:

Ano que vem eles voltam.

Que assim seja. O interessante é que agora posso matar a saudade procurando por trechos do show no youtube, não dependo mais das minhas saudosas fitas cassetes. Nada como a revolução da tecnologia e porque não dizer, dos consumidores em questão.

 

 

 

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